terça-feira, 20 de agosto de 2024

Você

 Também leio a gazeta penhense de ponta a ponta, todo fim de semana. Por isso, não deixo de me incluir como leitor também. Leio o boteco do Morais, a crônica do Dorival Colombero, a coluna da Lúcia Sarau, só para não deixar de citar os mais antigos colaboradores do jornal, cada um com sua temática e seu estilo próprio de se comunicar.

A mensagem escolhida pelos articulistas, tenho certeza, são cuidadosamente preparadas, em momentos reservados de concentração e de inspiração. A cada nova edição do jornal, algum assunto especial precisa ser identificado e escolhido para ser levado a você, leitor (a). A vontade primordial é de que você tire o melhor proveito de cada assunto abordado, bem como do jornal, considerado em seu conjunto.  

Desta vez, pensei em explicitar aqueles que são os destinatários dos assuntos tratados: você que está lendo estas linhas, neste momento. O nosso jornal vende produtos. Não são poucos os anunciantes que ocupam suas páginas. Enquanto alguns leitores buscam principalmente os anúncios, há aqueles que preferem acompanhar as notícias da região e do bairro ou se inteirarem de algum tema específico, seja ele ligado ao esporte, à novela, à saúde ou qualquer outro assunto da atualidade. Em todos esses casos, você leitor (a) é o interlocutor que precisa ser constantemente percebido e observado em cada reação que esboça. Dependendo dessa sua reação, alguma modificação precisa ser introduzida nas mensagens a serem transmitidas.

De alguma forma, um retorno da comunicação precisa permitir o dimensionamento alcançado pelo conteúdo do jornal. Mesmo que a gazeta não tenha um espaço exclusivo onde os leitores costumem se manifestar, constantemente estes enviam cartas e solicitações que lhes permitam expressar seus pensamentos.

É você, leitor (a) que capta com seus olhos as palavras contidas em cada nova edição do jornal. Dos olhos, as palavras são remetidas ao seu cérebro. Reunidas e entendidas, as idéias vão sendo selecionadas, encaixadas ou desencaixadas do restante dos pensamentos.

No seu interesse, você leitor (a) se permite olhar para fora de sua própria pessoa, abrindo-lhe a mente aos outros para que, nela, algo de novo possa entrar. Você não se reconhece isolado no mundo. Percebe que outros se encontram junto com você, vivendo num mesmo tempo. Um único barco é comum a todos. É preciso que estabeleçamos caminhos de idas e vindas em nossas comunicações, manifestando-nos pelo que pensamos e sentimos. ´

Postado por José Morelli

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"Falo desse chão, da nossa casa"

Por volta do ano de 1.796, o núcleo habitacional penhense, formado em torno da Igreja de Nossa Senhora da Penha, apresentava um relativo crescimento do número de seus habitantes, o que exigia cada vez maior atenção dos poderes real e do clero. Na época, não havia separação entre Igreja e Estado. Foi nesse mesmo ano que a Rainha D. Maria I, de Portugal, elevou a Penha de França à categoria de Freguesia, dotando-a de novas estruturas em sua organização política e religiosa. Foi nomeado o Padre José Rodrigues Coelho como seu primeiro vigário. Nas paróquias, vigorava o costume de se constituírem, entre os fiéis, Irmandades. Havia as que eram formadas de brancos, outras de homens pretos, além daquelas que congregavam pardos ou mulatos. Algumas dessas irmandades se encarregavam de promover a construção de igrejas e de as administrarem. Essa forma de organização também facilitava às autoridades o controle e o domínio sobre esses diversos segmentos sociais.

Na Penha, entre os negros, havia alguns que já tinham se tornado livres, através de cartas de alforria; a maioria, porém, ainda vivia sob o regime de escravidão. A igreja matriz servia preferencialmente aos brancos, descendentes de europeus. Nossa Senhora, com o título de Penha de França, já era popularmente considerada padroeira da Vila de São Paulo. Toda vez que algum problema grave se abatia sobre a cidade, a secular imagem desta santa era levada para a Sé catedral. Ali, mais paulistanos podiam fazer suas preces especiais. Nas festas de oito de setembro, era a vez dos moradores dos quatro cantos da cidade virem à Penha, para retribuir as graças recebidas. Foi nesse contexto que se formou a Irmandade dos Homens Pretos da Freguesia da Penha de França, trazendo em seus pensamentos e em seus corações a firme intenção de edificarem uma capela, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, na qual pudessem realizar suas funções religiosas e também terem um lugar digno onde pudessem enterrar os seus mortos. “Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois”.

“Um mais um é sempre mais que dois”. A epígrafe, redigida pelo Dr. Sylvio Bomtempi e que se encontra em lápide, no interior da igreja, resume o seu sentido histórico. Esta diz que a capela se constitui como eloqüente testemunho da solidariedade no sofrimento e da esperança na redenção. Para isso é que ela foi chamada a existir. “Quero não ferir meu semelhante. Nem por isso quero me ferir”.

Antes mesmo de serem trazidos para o Brasil, os negros, principalmente os vindos da região do Congo, muitos deles já eram convertidos ao catolicismo. Ainda em terras africanas, os dominicanos disseminaram entre eles a devoção a Nossa Senhora do Rosário, utilizando-se dos mistérios do terço como meio para catequizá-los. Por conta dessas influências, muitas igrejas dedicadas à Mãe de Jesus, com este mesmo título, foram construídas em pequenas e grandes cidades desse nosso imenso Brasil. A partir dos grupos de congadas, formou-se um rico repertório de canções e de danças. Representando as lutas entre mouros e cristãos, estes grupos expressam a fé e a confiança que depositam em sua padroeira. “Canta! Leva tua vida em harmonia... Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão”.  

Na cidade de São Paulo, a igreja mais antiga construída por irmandade de negros, foi a do Largo do Rosário, atual Praça António Prado. Ela foi derrubada e, hoje, em seu lugar, se encontra a bolsa de valores. Para substituí-la foi construída a igreja do Paissandu. A da Penha foi a única que sobrou. “Falo desse chão, da nossa casa. Bem que ta na hora de arrumar...”

“A felicidade mora ao lado” No próximo domingo, dia 1º de junho, às 18 horas, será levantado o mastro à frente da igreja. O espaço passará a ser reservado às festividades sob a proteção dos seus padroeiros: a Senhora do Rosário e São Benedito. Em seguida, no interior da igreja, será cantado o terço. Com estes dois eventos, será dado o ponta-pé inicial das festividades deste ano e que se prolongarão até o último dia do mês. “Vamos precisar de todo mundo”. O dia principal da festa será o dia 22 (domingo). É só acompanhar pela programação publicada na gazeta. A letra da música “Sal da Terra” de Beto Guedes e Ronaldo Bastos foi a que deu inspiração para a escolha do tema para a festa: “QUERO VIVER MAIS DUZENTOS ANOS” Esperamos por você. Venha!

Postado por José Morelli

                                                                                                                                   

Vivências

Vivenciamos, quando participamos  integralmente - de corpo e alma. Não, quando apenas lemos, refletimos e idealizamos a respeito. Vivenciamos, quando experimentamos, sentindo o gosto, o prazer de compartilhar de alguém ou de alguma coisa. O aprendizado teórico, envolve-nos em parte, apenas, mediante uso de nossa inteligência. O conhecimento, obtido através da vivência, é mais completo e abrangente. Nele concorrem, também, nossas emoções, o que faz enriquecer o conhecimento, embora o torne mais difícil de descrevê-lo em palavras, sem empobrecê-lo.

O aprendizado de grande parte das matérias escolares, pode se dar de maneira teórica, sem que precisemos nos envolver, por inteiro, com elas. São conteúdos, cujos conhecimentos podem ser adquiridos, sem prejuízo algum, mesmo não  precisando nos envolver afetivamente com eles.  Conteúdos que dizem respeito a relacionamentos interpessoais, no entanto, exigem envolvimento mais intenso, para que possamos alcançar deles, conhecimentos mais amplos e profundos.

Para obtermos um conhecimento, assim, do que vem a ser uma amizade verdadeira, por exemplo, não bastam, algumas idéias sobre esse tema, por mais bonitas e altissonantes que sejam. Para podermos construir, na mente e no coração, o que é sermos e termos um amigo ou uma amiga, é preciso que experimentemos o sabor de uma amizade concreta, através de vivências desse tipo de relacionamento interpessoal. 

A adolescência é a etapa da vida, em que garotos e garotas têm a chance de experimentar e desenvolver amizades entre si, ampliando conhecimentos e ganhando novos dimensionamentos a respeito de si mesmos e do outro. Seria bom que os adultos, por palavras e exemplos, incentivassem os adolescentes a isso e não os reprimissem, acenando-lhes só com desconfianças.

Essas vivências, experienciadas na adolescência, são de fundamental importância para que, nas etapas posteriores de nossa vida, possamos continuar acreditando em nós mesmos e nos outros, permitindo-nos que nos lancemos, sem medos indevidos, aos outros, abrindo-nos a eles, com segurança, dando-nos a nós mesmos oportunidades de desenvolver-nos e dando, aos outros, essas mesmas oportunidades.

Postado por José Morelli

 


Visão de conjunto

Quem vê de longe, consegue ter uma visão mais ampla do lugar que está olhando, percebendo-o em seu todo num só relance. Várias informações importantes são captadas nesse tipo de visão, informações essas que são imprescindíveis para que se possa ter um bom dimensionamento da realidade completa do lugar. A visão de conjunto ajuda muito, permitindo situar bem cada coisa em seu devido lugar. Porém, dependendo do que se objetiva, essa visão, apenas, não é suficiente.  É preciso também observar cada parte identificando-a e reconhecendo-a em sua importância. A visão de conjunto fotografa tudo de uma só vez. Se fecharmos os olhos, podemos nos recordar de muita coisa, que nossa vista reteve e ainda tem vivamente gravado na lembrança. No entanto, por mais atenta que seja a pessoa, é inevitável que deixe passar despercebidos muitos pequenos detalhes. 

No plano físico é assim. No plano psicológico funciona de maneira semelhante. A mente humana armazena milhões de informações, que influenciam nos pensamentos e, consequentemente, determinam as atitudes de cada indivíduo. O tempo permite a acumulação de experiências diferenciadas em cada fase da vida, mesmo antes do nascimento. Essas experiências são acompanhadas de sensações que se associam às idéias e aos conceitos. Nada se perde. Algumas lembranças são conservadas vivas na memória. Outras, a mente prefere abandoná-las em algum canto, como se nunca tivessem existido ou acontecido. Mesmo assim o peso dessas marcas, deixadas pelo tempo, ainda permanecem de forma velada, arrastando-se e dificultando a liberdade e a espontaneidade do viver.

O Jornal do Conselho Federal de Psicologia, em sua primeira edição de 2009, informou que este novo ano será o ano da Psicoterapia, no contexto da Psicologia. A psicologia clínica tem sido a principal vitrine, na qual a sociedade como um todo consegue dimensionar a importância desta ciência para o desenvolvimento da saúde e do equilíbrio de indivíduos, considerados pessoal e coletivamente. Da soma das contribuições de tantos profissionais em atividade, a visão científica se torna cada vez mais completa, contemplando tanto o conjunto de seu saber como as múltiplas partes que a compõem.

Postado por José Morelli

  

Vínculos

 No latim “vincula” é o mesmo que corrente ou elos de uma corrente. Em português, vínculo significa ligação, dependência, laço. Na psicologia, esta palavra é muito utilizada. Com o auxílio dela, conseguimos entender melhor a força exercida pela mente, quer de maneira consciente, quer de maneira inconsciente, e que influencia na intensidade com que  as pessoas estabelecem seus relacionamentos.

Os vínculos são forças, que ligam as pessoas entre si. Amor e ódio, embora sejam sentimentos opostos, possuem em comum a característica de prender, amarrar as pessoas pelo sentimento, seja de forma positiva, seja de forma negativa.

A palavra vínculo é utilizada em muitas expressões da língua portuguesa, tais como: “vínculo de parentesco ou de sangue”, “vínculo de amizade”, vínculo empregatício”, “vínculo social, de fé, de partido ou de ideologia política...” Entre médico e cliente, também, se estabelece um certo tipo de vínculo. O mesmo ocorre entre psicoterapeuta e paciente.

Os vínculos são um poder. Como tal, podem construir ou destruir. Podem, também, provocar modificações. É o que é desejável que aconteça nos processos psicoterapêuticos. Através dos fenômenos de transferência e de contra-transferência, o relacionamento entre psicoterapeuta e paciente, se torna capaz de mobilizar sentimentos fortes que, bem trabalhados, promovem mudanças emocionais e nos comportamentos.

Um mesmo vínculo pode ser formado por emoções que se entrelaçam. Às vezes, essas emoções podem ser contrárias umas às outras. Todas elas, entretanto, devem possuir algum fundamento real ou imaginado, que as justifiquem. Os relacionamentos dos seres humanos possuem, como pano de fundo, algum tipo de vínculo que liga as pessoas entre si. Esse pano de fundo pode ser composto de várias cores, que são as emoções. 

“Vínculos doentios” são aqueles que promovem, nas ligações de interdependências, estados emocionais negativos - (destrutivos) e prejudiciais à qualidade de vida das pessoas.

“Vínculos saudáveis” de interdependência são aqueles que se manifestam através de atitudes positivas e que promovem o bem-estar das pessoas envolvidas.

“Vínculos terapêuticos” são aqueles que contribuem para o desenvolvimento da saúde e do equilíbrio das pessoas, necessitadas de desenvolvê-los.

Postado por José Morelli

 

Vida nova

 Mesmo que a contagem dos anos se devam a convenções humanas, o renovar-se da vida é uma condição indispensável para que ela se mantenha e se desenvolva. Do ponto de vista da matéria, as células do corpo se renovam constantemente. Enquanto as mais velhas vão morrendo, novas vão surgindo para substituí-las.

Acabamos de celebrar o começo de mais um ano. O de número 2.005 no calendário cristão. Saudamo-lo com fogos, brindes, abraços e votos de felicitações, no sentido de motivar-nos mutuamente. Valem muito a vontade e a determinação para que os caminhos escolhidos nos conduzam a lugares melhores, em que os avanços e o crescimento apareçam de forma mais nítida, realizando-nos no anseio de viver nossa existência, da forma mais plena que pudermos.

Obstáculos fazem parte do processo da vida. Como cada um de nós se comporta diante deles, se buscamos superá-los ou se nos abatemos e nos curvamos diante de suas imposições, depende da força interior que nos anima e não nos permite “entregarmos os pontos”, sem que antes lutemos até o quanto somos capazes de lutar. Só a morte é irreversível. O dia seguinte ao da tragédia, provocada pelo Tsunami da Índia, para os que sobreviveram, se constituíu como o recomeçar do quase nada. Destroços por todos os lados. Só a vida viva dos sobreviventes, mesmo que extremamente fragilizada, no sentido físico e psicológico, é que pode dar começo e continuidade à nova vida. Quantas necessidades!... A realidade não é brincadeira. A ficção dos filmes de tragédia faz dela algo sem conseqüências. O ataque às torres gêmeas e, agora, essa imensa catástrofe são como “chacoalhadas” na humanidade para que fique mais atenta e direcione melhor suas escolhas de caminho a seguir.

No plano pessoal, cada um de nós, em nossa individualidade, também vive desafios. O início de um novo ano pode ser inspirador de novas buscas para superá-los. A base de todas as realizações são as pessoas. O ser humano precisa estar íntegro, com o melhor de suas capacidades funcionando. Consciente de sua própria consciência, ele precisa assumir sua responsabilidade diante de si mesmo e do mundo que o envolve e do qual faz parte. Ano novo, vida nova! Vamos todos em frente, construindo-nos a nós mesmos com o exercício das tarefas que vamos executando!  

Postado por José Morelli     

Vida heroica de aposentado

 Toda e qualquer realidade pode e deve ser analisada a partir de variados recortes ou vieses, a fim de que possa permitir um dimensionamento amplo da verdade em que a mesma se constitui. Assim, por importantes que sejam as análises que têm sido explanadas, através dos meios de comunicação: seja a favor ou contra as reformas que se encontram em tramitação no Congresso Nacional, estas ficam incompletas sem que se inclua um acurado olhar sobre cidadãos e cidadãs: aqueles e aquelas que contribuíram durante anos e anos e, a duras penas, conquistaram seus direitos de usufruto do que plantaram em seus melhores anos de vida. 

O heroísmo a que me referi no título, vale especialmente para os que não fazem parte do seleto grupo de privilegiados que, ironicamente, recebe bem além do chamado teto máximo, com benefícios que atingem valores superiores a R$ 30.000,00, como é o caso de políticos que se aposentaram precocemente.

A grande massa, cujo valor do benefício é insuficiente para proporcionar condições mínimas de sobrevivência, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, serve ainda como mola propulsora da economia, contribuindo para que esta continue girando. Quase a metade do que a grande maioria dos aposentados ganha volta imediatamente aos cofres públicos na forma de impostos. Antes mesmo de ganha-lo, o dinheiro já está empenhado para pagamento até mesmo de empréstimos inevitavelmente contraídos.

Quanto ao item saúde, dada a precariedade dos serviços públicos disponibilizados à população de baixa renda, haveria necessidade do concurso de planos privados. No entanto, o custo de qualquer um deles, com facilidade, absorveria a quase totalidade dos benefícios recebidos pela maioria dos aposentados.

Se avaliarmos o peso de responsabilidades que, mesmo depois de aposentados, recaem sobre cidadãos e cidadãs, no seio de suas famílias e fora delas, com justiça, a palavra heroísmo se torna pertinente para qualificar a vida cotidiana de muitíssimos destes e destas. 

Postado por José Morelli