quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Contribuições mútuas

Pelo certo ou pelo errado, pelo positivo ou pelo negativo, por nossas ações ou omissões, todos nós nos influenciamos mutuamente. Formamos um grande conjunto. Quando a maré é cheia de um lado, é vazante de outro e vice-versa. As necessidades de cada um e de todos são muitas. Ninguém consegue se suprir em tudo aquilo de que necessita para viver. Daí a importância de as pessoas se desenvolverem em suas melhores aptidões. Aquelas que são mais práticas, dedicam-se à execução das tarefas materiais-mecânicas, enquanto que as que têm mais facilidade na criação de idéias, dedicam-se à elaboração das teorias e organizações.

O mundo se renova constantemente. As mudanças fazem parte do processo natural da vida, no cosmos. As pessoas se sucedem umas às outras, no tempo, assim como as coisas também passam, necessariamente, por transformações. 

Vivemos num país que precisa superar o próprio atraso em muitos sentidos. O que é gasto em repor orelhões de telefone destruídos, pichações de paredes recém-pintadas e outras depredações certamente poderia servir à aquisição de muitas outras coisas, que nos fazem grande falta e não temos dinheiro para consegui-las.

No plano do conhecimento e do aprimoramento da qualidade de vida, a necessidade é a mesma. A vida moderna apresenta desafios que exigem conhecimento e preparo para superá-los. Sem que as pessoas se ajudem, não é possível que indivíduos e sociedade superem seus problemas. Todo e qualquer conhecimento que possa ser útil na solução desses problemas é sempre muito bem-vindo.

Uns contribuem dando a outros a oportunidade de trabalharem. Há aqueles que contribuem dando de seu trabalho para suprir a necessidade de quem precisa dele. São trocas mútuas. Essas trocas formam cadeias de influências. Nas pontas dessas cadeias se encontram aqueles que se dedicam aos trabalhos informais: vendendo água aos que têm sede nas estradas ou outras pequenas coisas, naqueles lugares por onde esteja passando algum cidadão necessitado delas.

O resultado global que se pode observar nas diversas sociedades e no mundo inteiro é a conseqüência das contribuições mútuas de todos os cidadãos e cidadãs que vivem na face da terra. O nosso planeta precisa de muitas ações positivas. A grande tarefa da humanidade é a de cuidar de sua própria existência e sobrevivência e da vida de seu habitat comum.     

Postado por José Morelli

Conspirar contra si mesmo

Consiste em: Deixar de fazer aquilo que é necessário para que possa ter os benefícios que espera alcançar. Sem resolutas tomadas de decisão e dedicações com afinco, seus negócios não poderão prosperar nem dar certo. 

Faz parte da conspiração: Negligência, preguiça, descrença e em si mesmo, falta de atenção e de interesse em realizar de maneira correta aquilo que deve ser feito, com a melhor qualidade que todo e qualquer empreendimento exige.

Consequências: Além de frustrar os próprios sonhos e desejos, essa conspiração faz gerar uma sensação desagradável de fracasso e de dívida para consigo mesmo, um sentimento de culpa e de vazio pelo nada que se pode contabilizar, quando o tempo já não estiver mais disponível.

Quem conspira contra si mesmo não precisa de inimigos, ele próprio é seu maior inimigo, o mais eficiente de todos em capacidade para prejudicá-lo. Quem conspira contra si não pode nem se queixar do que lhe acontece, dos resultados que colhe ou deixa de colher.

É começo de um novo ano. Momento de se avaliar quanto aos procedimentos do ano que findou. Momento de se conscientizar dos acertos e erros cometidos. Momento de se aprofundar no conhecimento de si, reconhecendo-se com realismo em suas maneiras profundas de ser e de agir. Momento também de olhar objetivamente para fora de si e de se colocar no lugar dos outros, tentando ver as coisas a partir de outros pontos de vista. Aceitar a realidade sem retoques e sem máscaras. Reconhecê-la nas facilidades sem menosprezar as dificuldades. Estas poderão pegá-lo pelo calcanhar, dificultando de que possa caminhar.

Gente sonhadora é gente cada vez mais rara nos dias de hoje. Não é proibido sonhar. Talvez mais do que nunca, o mundo precisa de pessoas que sonhem. Novas propostas para tornar a vida dos seres humanos mais feliz precisam surgir para substituir o que já não está mais dando certo. É tempo de contribuir. Todas as boas idéias são bem-vindas. Todos podemos e até devemos esperar uns dos outros. Muitos ainda se encontram excluídos da vida econômica, social e cultural. É preciso que surjam novas formas de inclusão... e a Vida, certamente, vai agradecer!

Postado por José Morelli

Complementos

Mesmo estando em plena primavera, na medida em que vamos nos aproximando do fim do ano, nosso hemisfério sul gradativamente se aproxima do Sol. Sentimos o calor aumentando e a luz solar se intensificando.  O que tem predominado nestes dias é o céu aberto. O tempo seco continua e as chuvas que costumam acontecer nesta época do ano tardam em chegar.

A natureza se mostra na exuberância das flores. De nossa parte, percebemo-nos na capacidade de captar tudo aquilo que ela possui e nos dá com prodigalidade. Sabores muitíssimos variados são encontrados nas frutas, cereais, hortaliças, raízes. De nada valeriam a nós, seres humanos, os sabores doces, azedos, amargos e mesclados se não tivéssemos a capacidade de senti-los, através do paladar. Os alimentos não apenas servem à nossa nutrição. Pelos sabores que apresentam, eles servem, também, como uma fonte a mais de prazer na vida.

Os sons da natureza são produzidos pelas vozes humanas, pelos cantos dos pássaros, pelos rosnar dos bichos, marulhos das águas, assobios dos ventos, múltiplos sons dos instrumentos musicais e de outros não convencionalmente considerados como tais. De nossa parte, a capacidade da audição complementa a existência dos sons, desde os mais graves, aos agudos, suaves e estridentes.

Os perfumes podem ser extraídos de flores, de frutos, folhas, cascas de árvores e de outros produtos. A variedade possível de cheiros é infinita. De nada nos valeriam tantos perfumes se não os complementasse a capacidade humana do olfato.

As texturas lisa ou áspera, macia ou dura, passando por todas as gamas intermediárias, encontradas na pele e nos cabelos das pessoas, nos pelos dos animais, na grama macia e no vento refrescante, de nada valeriam para nós, se não tivéssemos a capacidade de reconhecê-las e de senti-las através do tato.

As cores primárias e secundárias podem ser encontradas, na natureza, em grande profusão. Nas flores, elas se encontram em matizes variadíssimos. Mesmo numa única espécie são encontradas cores diversas: rosas, cravos, dálias, primaveras, ipês. Essa variedade existe, também em algumas espécies de hortaliças: pimentões verdes, amarelos, vermelhos, roxos. O capricho destas sofisticações de nada valeriam se não tivéssemos a capacidade de percepção das cores, através da visão humana.

Completando e fechando com chave de ouro essa série de percepções de nossos cinco sentidos, concluímos com uma última constatação: de nada valeriam todas essas capacidades, se não pudéssemos complementá-las com a capacidade humana de nossa consciência. Somos conscientes de que temos consciência. Somos capazes de agradecer pelo que somos e temos.

Postado por José Morelli

“Com o breque de mão puxado”

Se, por distração, o motorista esquece de soltar o breque de mão, o carro não consegue deslanchar, deixando de render de acordo com a capacidade do veículo e a quantidade do combustível que está gastando. Grande parte da energia se perde, simplesmente aquecendo peças que se pressionam entre si, desgastando-se e impedindo de as rodas se movimentarem livremente.

A expressão “com o breque de mão puxado” pode ser aplicada também, em sentido simbólico/figurativo, às pessoas.  Alguma coisa, não percebida imediatamente, as impede de renderem mais do que estão rendendo. Os esforços não correspondem aos resultados almejados e conseguidos.

A falta de atenção, a dispersão do pensamento pode ser comparada a esse breque de mão puxado que impede o estudante de aproveitar melhor o esforço e as horas gastas em seus estudos. Ele fica um tempão com o livro à frente dos olhos e não consegue assimilar os conteúdos das matérias nele contidos. Seu pensamento não está ali onde se encontra o seu corpo físico; ao contrário, voa por mil lugares diferentes, não conseguindo se deter naquilo que só na aparência está fazendo.

Quem faz com má vontade também não consegue render em suas obrigações. É chamada de “operação tartaruga” a forma de reivindicação em que os trabalhadores, de maneira consciente, realizam suas tarefas de forma lenta e morosa, sem o menor interesse de que estas fluam e atendam às expectativas daqueles que os comandam e os empregam.

Um trauma de infância, uma situação qualquer não bem resolvida, um sentimento de inferioridade, uma falta de auto-estima, estes e outros fatores psicológicos podem se constituir como bloqueios à boa fluição das energias nas pessoas, funcionando com verdadeiras travas.

Quando uma pessoa realiza um trabalho com um sentimento de contrariedade, ela pode até realizá-lo bem, com rapidez e de acordo com as expectativas. No entanto, mesmo de maneira inconsciente, esse sentimento pode interferir no funcionamento de seu organismo. O choque estabelecido entre a obrigatoriedade de realizar as tarefas e a mágoa promovida por qualquer razão que contrarie, à semelhança de um breque puxado que trava os movimentos, pode provocar lesões graves nas mãos, na coluna ou em qualquer outra parte do corpo.   

Postado pro José Morelli 

 

COISA LINDA

Do cartunista Henfil é a frase: “Eu sempre trabalhei com uma COISA LINDA, chamada ESPERANÇA!” O contrário da Esperança é o Desespero, a Desesperança. É quando não se vê e não se sente tendo saída alguma diante das dificuldades. Nenhuma porta ou janela aberta que possa servir como saída ou entrada para uma outra situação que se apresente como melhor, menos sofrida, menos triste ou angustiante. Nenhuma luz é percebida no fundo do túnel. 

Trabalhar com essa coisa linda que é a Esperança é acreditar na existência dessa luz que sempre pode e deve ser encontrada, dentro e/ou fora: algo que dê sentido, que valide o viver e até mesmo o morrer físico.

O sentido de realidade dá a dimensão da vida humana pelo que ela é e pelo que ela pode ser. Não se trata de um existir sem limites, muito pelo contrário. Porém, entre o ser e o não ser está toda essa manifestação de vida da qual fazemos parte e da qual fazem parte todas as coisas com as quais nos deparamos a cada novo dia em que acordamos, nos levantamos e nos colocamos em ação para com elas interagirmos.

Diante de tais realidades, como funcionam nossas idéias, nossos pensamentos? E como funcionam nossos sentimentos, acoplados que são a essas nossas idéias e pensamentos? – Valorizamos o que temos ou ficamos apenas nos lamentando pelo que não temos? Reconhecemos a importância e vibramos pelo que sentimos nos preencher ou só conseguimos reconhecer a importância do que nossas mãos não conseguem alcançar? Nossas insatisfações não conseguem tornar-nos capazes de alcançar a felicidade que nos é possível? Temos conseguido aprender com a vida que, constantemente, nos dá algum ensinamento de como é que devemos fazer para que ela se torne de alguma forma melhor?

Todo trabalho deve fazer bem à saúde da pessoa que o realiza e à saúde daqueles que dele se servem. Todo trabalho deve ser à favor e não contra a saúde e à vida das pessoas. É importante que sirva à construção e não à destruição da vida humana e de suas potencialidades. Com seu trabalho, o cartunista Henfil, de uma maneira criativa e crítica, deixou sua contribuição para a sociedade brasileira. Suas charges deixaram um rastro de inteligência e de esperança: alegria de viver e de conviver em meio às turbulências dos anos 60 e 70.  

Postado por José Morelli


 

 

  

Clara e gema

São palavras de gênero feminino que, em sentido próprio, referem-se às duas principais partes internas constitutivas de um ovo. Por sua vez, a palavra ovo é de gênero masculino. No conjunto, essas três partes, tanto podem servir ao nascimento de uma nova ave, como podem servir como alimento de excelente qualidade nutricional e de sabor. Clara e gema possuem características bem peculiares. Para identificá-las basta quebrar a casca de um ovo de galinha ou de qualquer outro pássaro e observar com atenção as duas partes principais nele contidas. A clara possui um aspecto transparente tendo uma coloração levemente amarelada. Sua densidade é um pouco maior do que a da água. Quanto à sua consistência, esta faz com que seu aspecto se apresente um tanto gosmento, fluido e escorregadio o que cria muita dificuldade de fazê-lo permanecer no interior das cascas quando estas são quebradas. Se um ovo inteiro é colocado em água fervente por alguns minutos, a clara endurece e perde sua transparência, ficando com uma coloração mais branca. No caso de a clara ser batida manualmente ou com o auxílio de uma batedeira esta aumenta de volume transformando-se em suspiro. De líquido, transforma-se em flocos brancos, semelhantes a nuvens. Desta forma, adicionando-se à massa de bolos, ela o ajuda em seu crescimento e torna-o mais macio. 

A gema, enquanto permanece no interior do ovo, fica envolvida pela clara. A gema se constitui como núcleo do ovo. É sua parte mais nobre e nutritiva. A gema possui uma membrana que lhe dá certa resistência. Algumas delas apresentam coloração alaranjada e com brilho reluzente, enquanto que em outras o tom é mais forte, tendendo para o vermelho. A gema não é tão fluida e escorregadia como a clara. Quando se deseja separar a clara da gema é preciso fazê-lo com cuidado. Com facilidade, a clara leva consigo a gema fazendo-a ir para onde não se deseja. Se nesse caminho, ela sofre alguma perfuração, mistura-se com a clara. Com isso, ambas perdem algumas de suas propriedades. Da mesma forma como acontece com a clara, a gema endurece quando, dentro do ovo, é aquecida em água fervente. A gema bem batida transforma-se em excelente vitamina. A palavra gema é também utilizada para designar pedras preciosas.

Na Itália como no Brasil, as palavras clara e gema também são utilizadas como nomes de mulheres. Lá, Clara é Chiara e Gema e Gemma. Da mesma forma como os ingredientes do ovo possuem características peculiares, as pessoas também, por seus nomes, podem revelar aspectos de suas personalidades.

Postado por José Morelli

 

Cidades

 Houve um tempo em que estas ainda não existiam no planeta. As cidades foram um dos maiores inventos da humanidade. Nelas homens e mulheres podiam se fixar em suas casas e aí permanecerem por longo tempo dando proteção às famílias e base para o seu desenvolvimento. O processo de aperfeiçoamento dessa nova invenção é chamado de urbanização, palavra latina derivada de urbs, que significa cidade. No começo, estas eram fortificadas, isto é: cercadas por altas muralhas que as protegiam dos ataques de inimigos. As condições de segurança que vieram depois permitiram que as cidades modernas não necessitassem de muros como as dos tempos medievais. Os acessos aos diversos lugares (residências, escolas, igrejas, lojas, bancos) podiam se dar sem que fosse necessário transpor muros ou fossos. O direito de ir e vir passou a ser mais respeitado. A evolução conseguia prosseguir relativamente tranquila em seu curso.

Porém, veio o desenvolvimento tecnológico e o progresso ampliou a capacidade dos humanos em dois sentidos: o de proteger e desenvolver a vida e, por outro lado, o de destruí-la em fração de segundos. Hoje, muitas cidades voltaram a construir muros de proteção em seus interiores. Aqueles que podem erguê-los assim o fazem e dentro deles se refugiam. O próprio comércio construiu para si ambientes fortificados. Condomínios fechados se apresentam como dotados da melhor qualidade e, consequentemente, sendo os mais valorizados do mercado. Para irem de um lugar ao outro, os cidadãos de posse saem, em seus carros, de garagem para garagem. As ruas vão deixando de pertencer aos mais abastados e influentes, sendo relegadas a abandonos por parte dos poderes governamentais.

Barcelona é uma das cidades mais turísticas da Europa. Seu forte são suas ruas e praças com milhares de pessoas visitando seus monumentos e comprando em seu comércio a céu aberto. As cidades surgiram para serem espaços democráticos. Nestes as pessoas se encontram e desenvolvem ações que lhes fazem bem. A saúde física e mental/psicológica precisa de ar, de luz, de espaço aberto em todas as direções para se expandir.

Nossa cidade precisa ser amada e não odiada. Nosso bairro, em suas ruas e praças, precisa servir ao nosso aconchego e ao nosso lazer. O medo não é bom conselheiro. Por si só, já é um grande prejuízo para todos. Nosso desafio é vencê-lo e não sermos vencidos por ele.  

Postado por José Morelli