terça-feira, 9 de junho de 2020

Um lugar ao Sol

Nosso planeta Terra, juntamente com outros planetas, estrelas, astros e asteroides, compõe o chamado Sistema Solar. Outros sistemas existem no Cosmos. Todos, equidistantes, se mantém em suas trajetórias. O Sol ocupa o lugar central neste nosso sistema, exercendo uma força de atração sobre os corpos celestes que gravitam à sua volta. Neste nosso contexto, “Ter um lugar ao Sol” é ter o indispensável para poder existir humanamente. 

A força de gravidade é uma energia. Toda matéria tem origem em alguma energia aglutinadora ou desintegradora.  Quando o tempo esfria, a temperatura desce e o Sol da manhã ajuda a aquecer a face da Terra voltada para ele. Um lugarzinho sob os raios do Astro Rei faz diminuir as sensações desagradáveis provocadas pelo vento gelado.

Em sentido simbólico, Sol é o mesmo que oportunidade, chance de viver. Sem esta, ninguém nasce, nem continua crescendo ou se desenvolvendo. Do Sol vem a luz e o calor. A Terra se abastece dessas energias e, por conta delas, torna-se produtiva. O planeta Terra também faz um movimento em torno de si mesmo (movimento de translação), que permite ao Sol refletir-se ora mais sobre o hemisfério norte, ora mais sobre o hemisfério sul. A boa distribuição da luz e do calor depende tanto do Sol como da Terra.

Os bens materiais e o dinheiro que, convencionalmente, os representa possuem forças para criarem oportunidades de vida. É preciso que ambos se encontrem em boas posições para que possam se tornar acessíveis ao maior número de pessoas. A especulação com o capital nem sempre gera empregos, não podendo assim ser geradora de maiores oportunidades. De um lado e de outro, todos são responsáveis pela vida de todos que fazem parte da humanidade.

Os bens imateriais também têm sua dinâmica própria. O afeto é indispensável. Ele é o calor humano que, na reciprocidade, aquece os corações, animando-os a continuarem batendo e impulsionando o sangue para todas as células do corpo. A responsabilidade é de quem deve dar o afeto e também de quem o deve receber. Alguma predisposição favorável deve ajudar nesse processo de distribuição dos afetos. O Sol faz a sua parte, colocando-se estrategicamente em sua posição de centralidade. A Terra, por sua vez, realiza seus movimentos a fim de permitir que os raios solares cheguem àquelas partes que necessitam mais dessa sua energia. A natureza não cansa de dar suas lições de vida. Cabe a nós, humanos, ter olhos e ouvidos para entendê-las e coloca-las em prática.     

Postado por José Morelli 

domingo, 24 de maio de 2020

Existencial

Que tem origem no emergente, que brota e borbulha como a água de uma fonte. É nossa vida acontecendo no instante do aqui/agora de cada um de nós. É toda realidade que transita conosco, compartilhando do tempo e do espaço no qual acontecemos e nos movimentamos: o fato, o ocorrente, o emergente. O existencial é o que se dá num íctus de segundo, único ao alcance de nossas mãos - irreversível. O que tem de ínfimo na extensão, tem de incomensurável na profundidade. Dele depende o sentido que atribuímos àquilo que fazemos, à nossa vida em construção. O existencial revela os seres, a sua natureza. Marca-os indelevelmente com seu sinal ou sua marca registrada. Os seres, ligados ao próprio passado, acontecem no presente, voltados/orientados no sentido de algum futuro.

Talvez, por ser tão efêmero, tão passageiro, o existencial não foi, no pensamento mais clássico do passado, valorizado como medida confiável de expressão da verdade. O existencial, em seu todo, está sujeito a muitas interveniências. Não consegue ser mantido a salvo das variáveis que interferem em seu modo de responder aos estímulos com os quais interage.  Por isso, para não extinguirmos nossa pretensão de podermos alcançar verdades menos transitórias e mais permanentes, é que descartamos o existencial como balizamento de nossos entendimentos racionais.

Transitamos numa vida que nossos sentidos percebem manter uma linha de continuidade. O presente nos liga ao passado e ao futuro, como um elo de corrente. Na medida em que avançamos, o passado não deixa de permanecer em nós. Vai sendo arquivado no fichário de nossa memória, deixando sinais de sua passagem, inclusive em nosso corpo. Como nas imagens de uma câmera de televisão, instalada nos carros de corrida, vemos o futuro chegando rápido e se transformando logo em passado. Tamanha velocidade não experimentávamos em um passado não tão distante. A velocidade nos dá a sensação de que estamos vivendo com mais intensidade, que estamos descobrindo sensações novas, mistérios até pouco escondidos da vida humana. Como é excitante experimentá-los! Que curiosidades satisfazemos ao explorá-los, descobrindo-nos em capacidades pessoais que antes desconhecíamos.

O existencial somos nós enquanto nos percebemos vivos. O existencial somos nós em cada uma das fases de nosso existir, desde o nosso nascimento. Enriquecemo-nos atribuindo sentidos às sensações corporais vivenciadas, sejam elas de dor, alegria, vitória ou fracasso.

Postado por José Morelli

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Criar expectativa

Quando um jogador de futebol costuma marcar muitos gols, cria expectativa na torcida. Todos passam a esperar mais dele, que continue marcando gols e dando vitórias a seu time. Se, por acaso, sua produção decai, deixando de produzir para a equipe, todos (ele próprio e a torcida) se decepcionam. Vêm críticas e mais críticas. Cobranças se transformam em ameaças. Se não voltar a render, é substituído por outro, perdendo seu lugar no time.

Políticos, ao fazerem promessas ao povo, em suas campanhas, também criam expectativa. Pelo que dizem, deveriam assumir responsabilidade perante si mesmos e perante seus eleitores. Se alguns deles, tendo sido eleitos, não cumprirem o que prometeram, decepcionarão os eleitores que neles confiaram e os apoiaram com seus votos. Por terem frustrado a expectativa daqueles que nele acreditaram, o mínimo que mereceriam é que nunca mais recebessem apoio, pelo menos daqueles a quem enganaram uma vez.

Por palavras e atitudes, pais e filhos, maridos e mulheres, namorados e namoradas, amigos e amigas criam expectativas uns nos outros. Ambas as partes se acostumam a esperar e se sentem enganadas caso não vejam suas expectativas correspondidas.

Se uma pessoa, ao iniciar um relacionamento, querendo passar uma imagem muito positiva de si, mostra mais do que é capaz, falando e realizando coisas além de suas condições normais, mais cedo ou mais tarde, sua verdade virá à tona, causando frustração e revolta. Um relacionamento maduro é, também, verdadeiro. Com o passar do tempo as pessoas se revelam como realmente são.

As estórias infantis de príncipes e princesas alimentam a imaginação das crianças e mesmo de adultos. Esses sonhos podem estimular muito numa fase da vida, dando-lhe mais entusiasmo. Porém, logo a realidade se sobrepõe ao sonho e muitas das expectativas, ligadas a esse sonho, precisam ser substituídas por outras mais próximas do real, do chão em que se pisa.

Por tudo, paga-se um preço. Cada um é responsável pela imagem que passa de si mesmo aos outros. O amor generoso e bem ordenado é positivo. O medo nem sempre é bom conselheiro. Sabendo-se tirar lições dos acontecimentos do dia-a-dia, as pessoas podem se aprimorar na arte do bem-viver e do bem-conviver.  

Postado por José Morelli 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Cultural

O conceito, a ideia do que vem a ser cultura, abrange as diferentes formas com que cada sociedade constrói seu modo de viver, no cotidiano. Dividindo o planeta como que em duas metades de uma mesma laranja, podemos identificar duas culturas bem distintas: a ocidental e a oriental. Alguns ícones são lhes bem característicos. Instantaneamente somos capazes de identificar os que são daqui, do ocidente, e os que são do outro lado do mundo, do oriente. Os palácios da antiga Roma são facilmente reconhecidos, diferenciando-se dos existentes no Japão ou na China. Os caminhos históricos percorridos contribuíram na edificação de cada cultura, propiciando-lhes modos de pensar diferenciados e maneiras peculiares de sentir a própria vida e o ambiente em que esta se desenvolve. 

A formação das diversas línguas, na escrita e na fala, as condições territoriais pelas dificuldades e pelas facilidades apresentadas, o clima, a fauna e a flora, essas e outras variáveis contribuíram e contribuem para formar a cultura de cada lugar.

Além da divisão em apenas duas metades, o mundo pode também ser dividido em dois hemisférios: norte e sul. Nesses quatro espaços se encontram os cinco continentes. Cada um desses cinco continentes possuem vários países. O modus vivendi de cada povo constitui a cultura própria de cada um deles. Uma importante riqueza que permite o entendimento, a boa harmonia e o progresso de cidadãos e cidadãs, dentro e fora dos limites de seus respectivos territórios.

As culturas são vivas e, como tal, possuem seu tempo de começo e de formação, de desenvolvimento, influenciando e recebendo influências e, por fim, de desgaste e de transformação. Toda sociedade é fortemente influenciada pela cultura vivenciada pelos que dela fazem parte. É a sua identificação, o seu sinal distintivo.

Com a chamada globalização, intensificaram-se as trocas entre as diversas culturas: uma boa chance para algumas e um risco para outras. Os valores subjacentes às manifestações culturais não é bom que se percam. Se um povo não valoriza o que é seu e prefere copiar as maneiras de outros povos, atribuindo-lhes significados de maior importância, perde sua identidade, negando-se a si próprio e às suas próprias raízes.

Postado por José Morelli

domingo, 19 de abril de 2020

Elaborar perdas

Não é fácil perder. Na maior parte das vezes, não estamos preparados para aceitar qualquer perda, por menor que seja. Ao processo de aceitação e de assimilação do que não conseguimos evitar de perder, costumamos chamar de “elaborar  perdas”.

O luto, hoje quase em desuso, era um costume que permitia às pessoas manifestarem externa e publicamente seus sentimentos de dor e de tristeza, pela perda de algum ente querido ou próximo. O luto era uma espécie de enfrentamento com a realidade dos fatos e dos sentimentos, por eles desencadeados. É difícil saber quanto e como a obrigatoriedade do luto externo ajudava ou atrapalhava, para cada um, no processo de elaboração da sensação de vazio, que a perda costuma promover.  

Pessoas, animais de estimação, bens materiais, oportunidades, esperanças,... quantas e quantas coisas perdidas ou não-conseguidas, são capazes de causar essa sensação de perda, tão incômoda de suportar e que exige tempo e força de vontade, para que, pouco a pouco, vá sendo amenizada.

O processo de elaboração de perdas é muito pessoal. A ligação de cada um àquilo que considera possuir ou com direito, acontece de maneira bem particularizada. Essa ligação se constitui de um conjunto de elementos tanto racionais como emocionais. Elaborar perdas é intervir, tanto nos pensamentos como nos sentimentos, modificando-os através de novas correlações com a realidade.

Uma perda pode despertar problemas antigos não bem resolvidos. Existem casos em que fica bastante difícil, para o indivíduo, enfrentar sozinho, sem ajuda profissional, seus sentimentos de perda, que podem se manifestar em sensações físicas e de inseguranças. Nestes casos, é recomendável que ele não se furte de buscar ajuda, a fim de que possa superar, com mais facilidade, esses bloqueios à continuidade e desenvolvimento de sua vida.

Não é só com ilusões ou fantasias que se elaboram perdas. É imprescindível que se encare, com objetividade e realismo, o que efetivamente aconteceu ou está acontecendo. Para se enfrentar uma perda é necessário maturidade. Apoiando-se em si, reconhecendo-se a si como base da própria vida, descobrindo-se e acreditando nas próprias forças, é que a pessoa se reconstrói, no enfrentamento da realidade tangível e concreta.

Perdendo ou ganhando, ganhando ou perdendo... a vida se desenvolve, imprimindo direções diferentes no caminho de cada um. Com isto, há momentos em que a percepção do horizonte parece diminuir e há momentos em que, felizmente, essa percepção se amplia, permitindo a sensação de crescimentos, com ganhos e vantagens.

Postado por José Morelli

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Compartilhar

Enquanto seres viventes, compartilhamos o que somos e o que temos: o ar que inspiramos e expiramos; o chão sobre o qual nos locomovemos; a chuva que cai (ou não) do céu; o idioma com que nos comunicamos; o dinheiro corrente com o qual transacionamos bens ou serviços; a natureza humana da qual fazemos parte, bem como o mundo em que vivemos. Nossa vida só se mantém viva, se compartilhada no e com o meio em que nos originamos e, no qual, coexistimos com outros seres viventes.

Tudo é compartilhado: o que é bom e o que não o é. A própria razão de bondade ou de maldade não é absolutamente precisa em suas possibilidades de influências positivas ou negativas. Dependendo do ângulo de visão com que se olha, algo pode ser qualificado de uma ou de outra forma. A ênfase dada em favor desta ou daquela visão, muitas vezes esconde objetivos de instrumentalizá-la em função de interesses, por vezes escusos. Compartilhamos regras de vida supostamente organizadas. O contraditório nunca pode deixar de estar presente, nos momentos em que dúvidas pairem sobre nossos julgamentos.

Compartilhamos verdades e mentiras, crenças e descrenças, esperanças e desesperanças, satisfações e sofrimentos, alegrias e tristezas... Nossas moradias compartilham as ruas e calçadas que dão acesso a outras moradias, nosso bairro compartilha com outros mais próximos ou mais distantes, assim como nosso município, nosso estado, nosso país, nosso continente compartilham com outros municípios, estados, países, continentes. Formal ou informalmente, trocas constantes se estabelecem em todas as direções.

Compartilhamos saberes e ignorâncias, harmonias e desarmonias, amores e desamores, gentilezas e indiferenças, progressos e retrocessos, vantagens e prejuízos, virtudes e pecados. Compartilhamos pensamentos e sensações, sentimentos e imaginações, Tantas trocas servem à construção de nós mesmos e à construção do mundo, desenvolvendo-o e respeitando-o em suas potencialidades .

Postado por José Morelli

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Meditar

Quantas vezes ouvimos que fazer meditação é uma atividade mental/emocional, que ajuda muito na estruturação e fortalecimento da personalidade humana?...  Já a etimologia da palavra meditação, originária do latim: meditare, cujo significado é “voltar a atenção para o centro”, indica duas possibilidades.  Esse centro pode ser o da própria pessoa, que medita, ou o centro do mundo externo, o universo.

Acredito que não são poucas as pessoas que meditam sem terem consciência de que estejam meditando. Situações difíceis podem abrir oportunidades para que assim aconteça. Quantas vezes, o aparecimento de doenças graves força a tomadas de decisões profundas e verdadeiras, que servem à reorientação da vida de muitos. “Depois de tudo que passei, já não sou mais o mesmo (ou a mesma), aprendi a dar mais valor à vida”, costumam dizer.

Na meditação, o pensamento se projeta com sua energia própria. Ele é uma força de consciência e de integração. Com ele, o foco de atenção se volta seja para o centro da própria pessoa, seja para fora dela. Na primeira hipótese, se volta àquilo que emerge de sua sensibilidade: a pulsão de vida manifestada a partir das batidas do coração e do sangue circulando no corpo; o arfar dos pulmões, ingerindo e expelindo o ar respirado; alguma sensação de prazer/desprazer ou de dor provocada por disfunções, manifestações estas nas quais a mente pode se acoplar, encarando-as como realidades a serem assimiladas e   absorvidas.

Quando a mente se volta para fora da própria pessoa, para o mundo externo, para o universo, o foco de concentração liga a personalidade individual, identificando-a com o que existe além dela e a ultrapassa: pode ser a humanidade em seu todo, o planeta, o universo, a fonte de onde se origina a vida (Deus), anjos, santos e tudo o mais em que se possa acreditar.

O importante, nessas duas formas de meditar, é aproveitar o momento presente em toda sua profundidade e intensidade. Mesmo que o pensamento seja fortuito, passageiro em essência, ainda assim ele pode sentir-se em paz e descansar, harmonizando-se consigo mesmo. Deste modo, ele passa a se sentir quites com o que lhe está ao alcance.

Postado por José Morelli