quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Simbolismo das unhas

Uma longa história compõe o inconsciente coletivo da humanidade. Dessa história fazem parte as unhas, tanto das mãos como dos pés dos seres humanos, desde os seus primórdios. Em sua evolução, o animal-homem se desenvolveu com os recursos de que dispunha, nas diversas fases de seu desenvolvimento. Com a ajuda de suas unhas, ele podia subir e descer as árvores e as encostas íngremes das montanhas, além de se defender e atacar tendo em vista a sua sobrevivência, da mesma forma como se observa nos comportamentos dos outros animais.

Hoje, raramente as pessoas se utilizam das unhas para resolver algum problema do dia-a-dia. Uma infinidade de utensílios as podem substituir com vantagens. Restou para elas, principalmente, um papel estético importante. Um mínimo de cuidado é necessário para que se mantenham saudáveis e bonitas. As unhas fazem parte do todo de cada indivíduo, expressando-o como num teste de personalidade.

Na literatura e no cinema, os personagens do lobisomem, das bruxas e outros mostram o lado agressivo, representado através de longas e ameaçadoras unhas. Por outro lado, a necessidade incontida de roe-las expressa a atitude de auto-agressividade e de timidez perante o enfrentamento com o mundo externo. As unhas funcionam como um termômetro para se avaliar a saúde do corpo e da mente. A falta de vitalidade e de energia encontram um dos primeiros meios de se manifestar através da fraqueza das unhas. Elas se tornam quebradiças e com defeitos que a deformam e enfeiam.

O cuidado das unhas é uma forma de se fazer bem, de amar-se parcial e totalmente. Esse é um caminho para se melhorar a auto-estima: das pontas, das extremidades dos membros superiores e inferiores, para o centro, para o íntimo. Outra via para o reencontro consigo mesmo é o trabalho com os pensamentos e sentimentos. Não basta centrar-se apenas no corpo, em cada uma de suas partes. Para se ter e se sentir com segurança e equilíbrio, garantindo-se da melhor fluição da energia corporal e mental/emocional, é preciso aprender a ler e interpretar as mensagens emitidas pelo corpo, entendendo os simbolismos que representam cada parte. Portanto, dê uma olhada para suas unhas e veja o que elas têm a dizer prá você. Queira-as bem e queira-se bem a partir de suas unhas. Você e todos o merecem!

Por José Morelli

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Caráter delinquente

É o caráter daquele indivíduo que, de uma forma quase irresistível, prefere escolher o descumprimento de leis e normas em vez de ater-se às mesmas, cumprindo-as naturalmente. Apresenta-se constantemente como “do contra”, “nascido do avesso”. Parece não querer percorrer os caminhos tidos como comuns aos simples mortais, insistindo em chamar a atenção mediante adoção de condutas contrárias, mesmo que nocivas ou prejudiciais a si mesmo e aos outros.  Como as demais características das distorções da personalidade humana, estas podem se apresentar de forma graduada, desde as mais tênues até as mais fortes, desde as mais controláveis até as mais difíceis de serem controladas.

Delinquir é o mesmo que descumprir. O delinquente se identifica como exceção à regra que é imposta a todos. Com essa sua maneira de ser e de agir, cria inúmeros problemas no convívio de sua família e no meio social em que se insere. Essa sua maneira de se diferenciar dos outros certamente tem seus fundamentos, suas razões de ser e de se explicar/justificar. A partir de um ponto de vista, o caráter delinquente decorre da contradição existente na própria condição humana que, mesmo não sendo perfeita e completa em suas possibilidades, na mente humana, consciente ou inconscientemente, não desiste de ambicionar a perfeição ou a completude.

O caráter do delinquente é o de uma pessoa que não se conforma com a limitação com que a realidade da vida aparentemente se apresenta. Através de seu modo de julgar e de agir, não entende e condena a todos os outros que procedem de maneira diferente e contrária à sua. Mesmo que não se sinta totalmente seguro quanto ao que faz ou deixa de fazer, adota posturas que parecem traduzir sentimentos de autoconfiança.

O caráter delinquente pode também ser atribuído a grupos de pessoas. O inconformismo certamente deve estar na base da formação daqueles que fazem parte das facções criminosas que controlam o tráfico de drogas e de armas em regiões estrategicamente escolhidas, cujo acesso demandaria dificuldades para ser conseguido pelos órgãos policiais de repressão. Traficante e usuário possuem características semelhantes de distorções na formação da personalidade. Ambos possuem caracteres fortemente contaminados pela sensação de orgulho e de vaidade que a deliquência é capaz de proporcionar a indivíduos e a grupos de indivíduos.

Por José Morelli

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Confiança

Pode não parecer, mas o mundo só se sustenta por causa da confiança. Ela existe e acontece com bem mais freqüência do que podemos imaginar. A natureza é como uma mestra da confiança. Obedecendo suas leis, os dias e as noites se suscedem com extrema precisão. Assim, aprendemos a confiar de que a cada 24 horas surge um novo dia e que, em cada ano, os diversos pontos do planeta passam pelas variações das 4 estações, beneficiando-se do calor, do frio, da chuva e da estiagem. Confiantes, os agricultores, os fabricantes de guarda-chuva, de agasalho ou de roupas leves esperam pela chegada da estação apropriada, para a qual se prepararam em vista de seus produtos.

As pessoas, também, vivem apoiadas na confiança que possuem umas nas outras. A confiança funciona como regra, sendo a desconfiança exceção. Mesmo aqueles que dizem que não confiam, precisam viver como se confiassem. Necessitam de uma confiança básica em si mesmos e nas pessoas com quem convivem mais proximamente; do contrário, não sobreviveriam. Precisam confiar nas coisas que estão a seu uso, bem como nas instituições às quais se inserem. Precisam confiar no ar que respiram, na água que bebem, nos alimentos que consomem, nas roupas que vestem. Se necessitarem de algum remédio, é imprescindível que confiem de que este os fará sarar ou melhorar. Precisam confiar no telefone de que fazem uso, na roupa que escolhem para comprar, no sapato, na bolsa, na arma, no que seja...

O trabalhador confia de que receberá o salário prometido pelo patrão. O patrão tem confiança de que o empregado selecionado executará o trabalho para o qual foi contratado. O motorista confia no carro que dirige, no combustível que utiliza para o fazer movimentar, no breque que aciona para o fazer parar. O jogador de futebol confia no companheiro de equipe, ao passar-lhe a bola. Quem lê confia no que está lendo. O aluno confia nos ensinamentos do professor e será ótimo que o professor confie no aluno, a quem tem por obrigação ensinar. Mesmo aqueles que se envolvem com o crime organizado, precisam confiar na organização a qual fazem parte e de merecer a confiança desta. A perda dessa mútua confiança pode levar a conseqüências indesejáveis para ambas as partes. A confiança, como regra, não merece ser notícia. A quebra da confiança, na qualidade de exceção, é mais rara; por isso, merece ser notícia, ganhando diariamente as páginas dos jornais e os noticiários da TV.

Por José Morelli

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

“Não diretividade”

Dependendo das circunstâncias e da condição emocional em que se encontram, os pais poderão adotar para com o filho ou filha, que se encontra em alguma dificuldade, não uma postura diretiva, mas um posicionamento não-diretivo. Atuam não-diretivamente os pais quando, no lugar de raciocinar e decidir pelo filho, ajudam-no a pensar e a concluir o raciocínio por si mesmo. Fazem isto através de uma atitude de quem não tem respostas prontas e mediante formulação de algumas perguntas, que permitam ao filho a utilização do próprio pensamento, assumindo responsabilidade sobre as decisões que deseja tomar. Em vez de os pais se apressarem em oferecer fórmulas feitas, a não-diretividade recomenda-lhes que acreditem nas capacidades do filho. É diretivo o pai ou mãe que pensa que só ele (a) sabe o que é bom e o que é ruim. Não explica ao filho o porquê de seus princípios e valores. Não contribui em nada para que o filho tire conclusões a partir de si mesmo.

O medo, a ansiedade, a falta de confiança em si e no filho são empecilhos a uma atitude facilitadora para que o mesmo adquira autonomia de pensamento e de decisão. Quem tem sempre muita pressa, quem vive com medo de que o erro não tem remédio, não o aceitando como instrumento do saber, não consegue permitir o desenvolvimento do filho, de uma forma gradativa, a partir de suas próprias experiências.

A não-diretividade não é o abandono do filho a si mesmo, na hora em que este tem que enfrentar alguma dificuldade que lhe é intransferível. Os pais não-diretivos não abdicam de suas obrigações, exigidas pelo papel que desempenham junto aos filhos. Pelo contrário, através de suas atitudes, realizam de uma forma mais apropriada aquilo que a palavra “educar” significa: conduzir a partir do interior. A não-diretividade é uma presença profunda e constante. Exige muita observação, muita atenção. Para ajudar o filho a pensar e saber decidir é preciso estar próximo dele, percebê-lo, situá-lo em seu contexto, questioná-lo quanto ao que está pensando e sentindo, permitindo-lhe, assim, que descubra quais são os múltiplos fatores que o estão condicionando. Agir não-diretivamente é interessar-se pelo que de melhor existe no filho como uma forma de querê-lo bem em sua integralidade, de reconhecê-lo em seus lados fortes. É uma aposta nos aspectos mais positivos do filho, mesmo que estes aspectos estejam cercados e protegidos pelo medo ou pelo comodismo. Para se saborear o gosto da castanha é preciso tirá-la de sua casca, sempre protegida de muitos espinhos. De forma parecida, algumas grandezas do espírito humano só são descobertas, quando as resistências são vencidas e os espinhos retirados, mesmo correndo risco de, eventualmente, vir a se machucar com eles.

Por José Morelli

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Voz e Vez

O direito constitucional de cada cidadão de se expressar e de ter oportunidade na vida.  Voz e vez. A vez pela voz: voz falada; sussurrada; esbravejada, não importa de qual forma seja. Manifestação da inteligência, das emoções e dos sentimentos humanos mais profundos. Voz e vez do ser na totalidade do corpo e do espírito, penetrando e deixando permear-se pela atmosfera circundante, na ânsia legítima de compartilhar do que é indispensável ao bem viver e dos progressos e conquistas tecnológicas e culturais dos seres humanos, usufruindo-os e podendo se complementar com os mesmos em justa medida.

Pela voz a vez. Vez de poder ocupar e de poder trocar com o espaço físico e psicológico, respirando o ar puro e movimentando-se em todos os sentidos, no exercício pleno do direito de ir e de vir, com liberdade e espontaneamente.

“Quem cala consente” - diz o provérbio. Televisão é comunicação de massa. Telespectador é multidão anônima, necessitada e carente de lazer e de descanso, que pouco ou quase nada contesta e discute idéias. Raramente o espectador é convidado a emitir a própria opinião. Só é instado a responder a questões de mínima importância e, mesmo assim, de forma limitada a um número restrito de alternativas. Cidadão que se omite de manifestar-se falando desconhece o poder da própria voz. Com isso, deixa o espaço livre para aqueles que já se habituaram a ter sempre vez e não são mais capazes de abrir mão do poder que esse ter lhes costuma proporcionar. O problema se torna ainda mais grave quando essa passividade se generaliza, alastrando-se para outros campos da vida dos cidadãos e cidadãs.

A vez é como o ar indispensável à vida da sociedade e do indivíduo. No relacionamento respeitoso entre este e a instituição ocorre o desenvolvimento harmônico do todo. Quando o direito à voz e à vez é negado ou coibido o progresso humano fica sacrificado. Perdas irreparáveis acontecem. A doença prevalece sobre a saúde, o corpo e o espírito embrutecem. A dignidade e o amor próprio perdem a vez.

Por José Morelli

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

“Fantasminhas”

A imaginação os criou. As histórias em quadrinhos têm um famoso: o “Gasparzinho”. Nos desenhos animados, eles aparecem na forma de um lençol branco com dois furos, na altura dos olhos, como se existisse alguém embaixo, que o animasse. Quando o lençol é puxado, nada se encontra. Só o lençol é visto, aquilo que dá movimento e vida ao lençol, não.

Podemos comparar a imagem dos fantasminhas, representada pelo lençol, que é a parte visível deles, aos sintomas das doenças (nos quadros neuróticos e psicóticos). O sintoma é apenas a manifestação de um problema de saúde e não, propriamente, o problema em si. A impotência sexual, o medo fóbico, a ansiedade, o comportamento perseverante e compulsivo, a hiperatividade, a angústia, a cleptomania, a depressão, a enurese noturna (xixi na cama) e outros sinais são apenas sintomas, manifestações de conflitos, de problemas mal-resolvidos ou não-resolvidos. Estes não aparecem de forma visível e concreta. São desarmonias e defasagens, choques mesmo entre valores antagônicos, entre consciência e instintos, entre idéias e sentimentos, entre situações externas e internas, “quedas de braço” impostas pelas circunstâncias da vida, difíceis de serem identificadas e bem trabalhadas, para poderem ser mais bem assimiladas, isto é, transformadas em força que alimenta a vida.

O sintoma acena para o problema, é o caminho para ele. Através do sintoma, podemos chegar à sua causa. O sintoma traz em si uma mensagem. Não é à toa que ele se apresenta de uma forma e não de outra. Nele podemos encontrar a pista para desvendarmos nossos segredos íntimos.  É ele como um enigma que precisamos decifrar e entender.

A palavra desvendar significa tirar o véu, que poderia ser entendido, também, como tirar o lençol do fantasminha. Vencendo as resistências naturais à busca do auto-conhecimento, podemos encarar nossos sintomas, sem medo, perguntando-lhes o que escondem por debaixo de suas aparências e o que têm a nos dizer sobre questões importantes de nossa vida, e que tanto comprometem o nosso desempenho e desenvolvimento.

Por José Morelli

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Imagens oníricas

São aquelas produzidas pelos sonhos. Podem ser em branco e preto ou coloridas. É a mente que constrói as imagens de objetos, lugares, animais e pessoas que, juntadas a sons e palavras, se constituem como mensagens úteis para quem está sonhando. Buscadas do arquivo da memória, essas imagens vão sendo projetadas compondo pequenas ou grandes histórias: umas de fácil entendimento outras parecendo não terem nem pé nem cabeça.  

Desejos, preocupações, frustrações podem se manifestar por meio de imagens oníricas que mobilizam sentimentos e emoções. Os sonhos servem à vida, ajudam-na a elaborar os conflitos que nela acontecem. Não é a toa que se tem um sonho e não outro. Não é a toa que nele aparece uma determinada pessoa e não outra. Existem razões importantes para isso. Nos sonhos, o psiquismo humano possui um meio eficaz de enfrentar seus medos e resistências. Neles, a mente se torna mais livre das censuras impostas pela consciência das normas que lhe foram introjetadas, desde a sua primeira fase de desenvolvimento.

Por meio do convívio social, o indivíduo capta os significados de tudo ou de quase tudo. O pensamento coletivo influencia no modo de pensar e de sentir dos indivíduos, ocorrendo certa universalização dos significados atribuídos às coisas e das emoções e sensações a eles associados.

A vivência pessoal também contribui para o enriquecimento de significados a serem atribuídos às situações representadas pelas imagens oníricas. Quem viveu, na infância, uma experiência na qual uma determinada flor ou música ficaram associadas a sensações de prazer, ao criar essas mesmas imagens, anos mais tarde, em algum sonho, estas promoverão as mesmas sensações de prazer experimentadas no passado.

Sonhar e lembrar do sonho é uma coragem, uma forma sadia de enfrentamento das dificuldades da vida. Na medida em que a mente sonha, ela vai se tornando mais consciente dos problemas que enfrenta, podendo se familiarizar com os mesmos. Pouco a pouco, vai ganhando mais poder e confiança em si, podendo quebrar algumas das barreiras que ela própria construiu em suas vivências do passado.

Por José Morelli