quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Gentileza

O dicionário etimológico diz que a palavra gentileza vem do vocábulo gentil. Do latim, gentilis tem o sentido de pertencente à mesma família ou ao mesmo clã. A gentileza nasce do sentimento de igualdade (familiaridade) entre as pessoas. Igualdade fundamental no que diz respeito à dignidade e aos direitos de cada um. Gentileza é a qualidade de quem é gentil, de quem é amável e respeitoso ao se dirigir ao próximo por palavras ou por ações concretas.

Atitudes de gentileza possuem uma força intrínseca. O tratamento amoroso e equânime da mãe para com sua prole serve-lhe como exemplo a ser aprendido e seguido, dentro e fora de casa. É dessa forma que se inicia o processo de educação a partir da relação íntima de cada família. Os filhos disputam o amor dos pais. O desejo de serem preferidos, mais a um que a outro, faz com que se criem disputas entre eles (meninos e/ou meninas). Essa disputa acaba distanciando os irmãos, salientando lhes mais as diferenças do que as semelhanças. A troca de gentileza, no acirramento dessa competitividade, é substituída por maus tratos e agressividade mútua entre pessoas que trazem nas veias um mesmo sangue.

Os modelos de relacionamentos perpassam a humanidade inteira desde os menores grupos até os maiores. Os exemplos positivos ou negativos acontecem em todos os níveis: nas relações entre povos e nações e nas que envolvem não mais do que apenas dois indivíduos. A competitividade estrutural do mercado mundial não esgota o sentido de sustentabilidade, necessária ao bom desenvolvimento da humanidade em sua total abrangência.

Multiplicar gestos de gentileza ajuda a sociedade a criar uma sinergia positiva contagiante. A ação gentil descreve um caminho de ida e de volta. Quem a pratica se constrói em sua dignidade enquanto reconhece a dignidade do outro. Quem recebe a gentileza é instado a reconhecer-se em sua própria importância e a de quem foi capaz de, efetivamente, demonstrá-la.  

Postado por José Morelli

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Pescoço

O pescoço, no conjunto de partes que compõem o corpo humano, exerce o papel de ligar a cabeça ao tronco bem como, através deste, aos braços, e às pernas. Dependendo da maneira como é pensado, pode-se dizer, também, que o pescoço exerce o papel não de unir, mas de separar essas mesmas partes, distinguindo-as conceitual e emocionalmente umas das outras. Pelo pescoço passam músculos, veias, condutores respiratórios e digestivos, parte da coluna vertebral e do sistema nervoso central. O pescoço pode ser visto e avaliado de vários pontos de vista: do morfológico, do fisiológico, do estético, do psicológico e outros. A morfologia estuda a forma do pescoço sob todos os ângulos externos e internos, a fisiologia o funcionamento de seu todo e de cada parte, a estética a harmonia ou desarmonia de suas linhas ou contornos, a psicologia as correlações simbólicas que podem a ele se associar na mente.

Existem pescoços compridos e estreitos, curtos e largos, compridos e largos, curtos e estreitos. Existem também aqueles que são proporcionais em suas medidas, bem como aqueles que se apresentam nos intermédios. Por conta da estética ou de outros motivos, algumas pessoas não se agradam do próprio pescoço sentindo-o como desarmônico com o todo em que se insere.

Interligando a cabeça ao tronco, como foi dito acima, o pescoço junta a razão, representada pela cabeça, à emoção, representada pela parte mais inferior do corpo, correspondente à área de concentração das funções vegetativas. Se o pescoço for pensado e sentido como parte que une, o fluxo de energia que por ele transita poderá ter mais liberdade em sua fluidez. Se o pescoço for entendido e sentido como parte que serve à separação, o fluxo de energia que por ele passa poderá não obedecer à mesma liberdade em seu trânsito de uma parte à outra.

Quando uma pessoa sente-se tensa por causa de conflitos pessoais e interpessoais, acontece muitas vezes de perceber uma concentração de tensão na região do pescoço. Na verdade, por sua localização estratégica, o pescoço é bastante vulnerável a tensões. Se alguém reprime de desabafar por alguma razão, pode provocar uma incômoda tensão no pescoço. Para evitar esse tipo de tensão, bastaria que a mente autorizasse o desabafo. Caso essa liberação não aconteça, não haverá outra solução senão a de, baixada a poeira, fazer uma boa massagem e alguns exercícios de movimentos com o pescoço, voltando-o de um lado para o outro e/ou girando-o num e noutro sentido, até que a tensão venha a se dissolver total ou parcialmente.

Postado por José Morelli

sábado, 5 de agosto de 2017

Quadril

A parte inferior do tronco humano é formada pelo quadril. Cadeiras ou ancas são outros nomes dados a essa mesma parte. Pélvis ou bacia é a cavidade óssea formada no interior do quadril. Em sua estrutura física, este possui todos os elementos próprios do corpo: ossos, músculos, tecidos, gorduras, pele, veias. A posição no corpo, as formas anatômicas e de funcionamento, os órgãos que se encontram protegidos por ele, com suas respectivas funções, são elementos que se somam a esta parte do corpo, enriquecendo-a em suas atribuições operacionais e simbólicas.

As formas anatômicas do quadril masculino e feminino são características próprias da masculinidade e da feminilidade. A primeira delas, mais estreita e a segunda, mais larga. Ao quadril se ligam os membros inferiores. Juntamente com estes, o mesmo sustenta o peso da parte superior do corpo. Dependendo da maneira como movimentam as pernas e coxas, o quadril acompanha esses movimentos, indo de um lado para o outro de forma mais ou menos acentuada. Mesmo num andar normal, essa movimentação é variada de pessoa para pessoa.
Em muitas danças, o quadril participa de forma intensa. Uma movimentação caracterizada pela sensualidade com que o mesmo vem representado no imaginário humano.

O quadril ajuda no equilíbrio dos movimentos do corpo, principalmente quando este se encontra em sua postura de pé. Na função de abrigar e de proteger o sistema reprodutor, é o quadril que suporta o peso do bebê nos nove meses em que ele se encontra em gestação. Daí a necessidade de que, em alguns movimentos, ele seja amparado com a ajuda das mãos da mulher grávida. A região do quadril contém partes altamente erógenas com grande sensibilidade para o prazer. 

Ao quadril, principalmente ao feminino, pode ser atribuído um sentido de solo sagrado, tal qual terra fértil onde se desenvolvem e germinam as sementes geradoras de novas plantas. Por essas e outras razões, a região do quadril humano é rica em referências simbólicas únicas que a relaciona a pensamentos e ideias, desde às mais elevadas e sublimes até às mais imediatistas e vulgares.

Postado por José Morelli 

Joelhos

Genuflexório é o nome dado àquela peça de madeira, fixa ou móvel, utilizada nas igrejas geralmente na parte de traz dos bancos, sobre a qual os fiéis podem ajoelhar-se e rezar. “Genu” é o vocábulo latino, do qual proveio a palavra joelhos, em português. De acordo com o imaginário universal, os joelhos servem também à oração, dobrando-se em sinal de reverência diante do sagrado. 

Os joelhos dividem nossos membros inferiores em duas partes, dotando-os de flexibilidade. Eles possuem articulações complexas que os permitem movimentos incríveis e de alta precisão. Como as demais partes do corpo, os joelhos atendem aos comandos da mente humana. Esta, por sua vez, responde aos estímulos dos demais órgãos dos sentidos, que instantaneamente enviam suas mensagens ao cérebro. 

Reafirmando a tese de que o subconsciente humano é corporal, relato aqui uma conversa ouvida de uma amiga. A terapeuta dela que tinha vivido um período de estudos na Índia, percebendo que ela se mostrava um tanto tensa, perguntou-lhe se não gostaria que fizesse nela uma massagem. Ela concordou e a terapeuta passou a tocá-la com as mãos. Tendo-a tocado em baixo da rótula de um de seus joelhos, a terapeuta sentiu ali alguma alteração que a levou a fazer-lhe a seguinte pergunta: “você perdeu algum familiar nestes dias?”. Muito surpresa, minha amiga respondeu que sim, um tio dela havia falecido na semana anterior.

Nossos joelhos possuem atribuições importantíssimas. Nosso direito de ir e de vir é grandemente auxiliado pela mobilidade com que nossas pernas se direcionam de um lado para o outro, justamente pelo fato de nossos joelhos possuírem tanta sofisticação em suas possibilidades de movimentações.

Trazemos na mente a imagem de nossos joelhos. Formulamos deles um pensamento e um sentimento. Podemos considera-los fortes ou fracos, satisfeitos ou insatisfeitos com os caminhos a que são forçados a percorrer, gratificados ou lesados com o que lhes é imposto, em harmonia ou em desarmonia com o restante do corpo por suas performances, estética e outras atribuições que lhes servem como referência. 

Postado por José Morelli

sábado, 24 de junho de 2017

Seios maternos

Enquanto a boquinha do bebê se volta, sôfrega, na direção do mamilo de um dos seios de sua mãe, seus dedinhos, de ambas as mãos, tocam delicadamente a pele desse mesmo seio, um espetáculo de se ver e de se emocionar dada a grandeza de seu significado. Registros dessas ações, através da sensibilidade e do olhar, chegam ao cérebro do bebe e da mamãe e vão sendo registrados nos respectivos arquivos do subconsciente de ambos, ali permanecendo pelo resto de suas vidas. 

Das formas mais variadas, o imaginário de todo e qualquer ser humano foi marcado por tais lembranças. Elas se encontram latente e podem ser resgatadas a qualquer momento, trazendo de volta a experimentação das sensações que permaneciam e permanecem impressas na alma de cada pessoa, na sua individualidade.

O leite materno é, dentro da capacidade humana, o responsável por um dos processos mais dinâmicos do crescimento da massa corporal dos bebês. É ele que, como alimentação exclusiva, não só permite o desenvolvimento físico de cada membro e de órgãos internos como também de suas respectivas capacidades energéticas, indispensáveis ao seu  funcionamento.

De acordo com a história contida na Bíblia: Palavra de Deus revelada, Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus, amamentou com o leite destilado de seus seios, o Filho de Deus feito homem, possibilitando-lhe que seu corpinho crescesse e se desenvolvesse. Baseando-se nessa fé, foi assim que, neste último domingo, o Largo do Rosário, localizado no centro do bairro da Penha, serviu como palco a grandes manifestações de cunho religioso e cultural. No aconchego formado pelos muros de arrimo que cercam o largo e a igreja que o completa como braços abertos, a multidão que ali se encontrava vivenciou expressões de profundos significados.

Na pessoa de Maria, Deus se revela também como Mãe da humanidade, necessitada do amparo nas vicissitudes da vida cotidiana de cada pessoa. Assim, que um dos momentos mais emocionantes ali vivenciados foi aquele em que todos entoaram um cântico no qual diziam: “Ei Mamãe! Abraça eu, mamãe! Embala eu, mamãe! Cuida de mim!...” Na simplicidade da linguagem popular, a clareza do sentido desse canto marcou a importância da mensagem que nele estava contida.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um primeiro passo

Ao qual se segue um segundo, um terceiro, um quarto e, assim sucessivamente, até se chegar ao termo final daquilo a que se propõe buscar ou atingir.   Importante é acreditar, encorajar-se, decidir e dar o primeiro passo, assumindo uma atitude concreta, seja qual for o objetivo a ser alcançado. Se se trata de um objetivo que seja bom, construtivo dentro e fora, que leve ao bem, porque ter que ficar resistindo e cedendo àquelas vozes interiores, preguiçosas e medrosas, que nunca deixam de existir e de dizer para esperar, fazendo deixar para depois o que já se poderia resolver no imediato?

O fato é que, o simples ato de decidir já é um começo de solução, constituindo-se como um ato de abertura ao novo e de coragem, indiscutivelmente. Porém, os primeiros passos não deixam de serem fundamentais, mesmo que acompanhados de medo e de insegurança. Vontade de retroceder é mais do que normal que sobrevenha. Daí, a necessidade de persistir e não se deixar dominar pelo desânimo e pelo comodismo.

A orientação que é impressa aos passos é que leva a lugares diferentes. A permanência sempre na mesma direção não permite que se chegue a novos lugares. A experiência do novo faz modificar os pensamentos e os sentimentos. Não somente se conquista o que se objetiva fora do pessoal como também se conquista mudanças internas, estruturais: de entendimentos; de quebras de preconceitos e de novas construções emocionais e afetivas.

O ser humano não é um ser acabado, definitivamente pronto. Ele se edifica passo a passo. Cada ação vai se sobrepondo uma à outra. Cada ação possui duas dimensões: no sentido da linearidade horizontal e no sentido da profundidade vertical, tanto para baixo como para cima, da imanência e da transcendência.  Um primeiro passo não deixa de ser um ato concreto de crença em si mesmo e na vida, seja a própria seja a de tudo e de todos que giram à volta.

Postado por José Morelli 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Governo das emoções

Quem as governa?... É você que governa suas emoções ou são suas emoções que governam você?... Costumo brincar, quando vejo certas pessoas levando seus cachorros para um passeio, perguntando-lhes: “quem é que está conduzindo quem...?”. Mal comparando, podemos dizer que as emoções são parecidas com os irracionais. Se eles caminham tranquilamente, sem serem instigados por outros bichos ou por fogos de artifícios barulhentos, até que dá para controla-los; porém, se são instigados, já não dá mais para controla-los: são eles que carregam seus donos para onde eles querem.

As culturas se constituem como aprendizados, maneiras de as sociedades lidarem com suas próprias emoções. A música, a dança, os jogos infantis e os esportes, as palavras com suas expressividades servem como manifestações de tudo aquilo que a mente e o coração transbordam, à semelhança de um copo cheio que recebe mais água do que pode conter. A fluidez da água também pode acenar para algum entendimento quanto às emoções. Estas parecem se comportar com a mesma fluidez, escapando como que pelos vãos dos dedos.

A diferença é que o copo não consegue se modificar pelas tantas vezes que é cheio com água. Já as pessoas, essas sim podem se modificar a partir das experiências que vivencia com os diversos tipos de emoções. Um bonito exemplo de um costume cultural, praticado pelos patriarcas do judaísmo, pode mostrar como as culturas, em suas constituições, contribuíram e contribuem para o aprendizado de controle das emoções. 

Trata-se do costume de, quando o patriarca se percebia perto da morte e, querendo transmitir ao seu filho primogênito as bênçãos de Deus, pedia que este se aproximasse dele e colocasse sua mão debaixo de seu saco escrotal, considerado em sua sacralidade. Dali, dos testículos que se encontram em seu interior, havia saído as sementes que fecundaram os óvulos dos quais nascera o primogênito bem como os demais filhos e filhas. Pai e filho, com esse ritual, satisfaziam a necessidade de elevarem o pensamento numa oração, como também se permitiam sentir, fisicamente, emoções densas de significados, vinculadas à natureza tal como ela é em sua essência de transitoriedade e transmissibilidade.

Postado por José Morelli