As corredeiras dos rios fazem com que lascas de pedras se desprendam, carregando-as consigo. Na medida em que estas se chocam umas com as outras e com os obstáculos encontrados nas margens e nos leitos profundos ou rasos dos rios, vão pouco a pouco quebrando suas arestas, arredondando-se em suas formas. Antes de as quebrarem, essas pedras são levadas pela correnteza com mais dificuldade e lentidão, por causa do maior atrito provocado por suas superfícies irregulares e pontiagudas. O arredondamento faz com que as mesmas ganhem mais leveza e velocidade. Estas são as contrapartidas pela perda das arestas.
A expressão “ quebrar arestas” também se aplica aos relacionamentos interpessoais. A vida humana pode ser comparada a um rio que leva. Quanto mais intenso é o relacionamento entre duas pessoas, maiores são as oportunidades destas se colidirem e de se quebrarem em suas próprias arestas, consideradas como defesas indevidas ou desnecessárias. A amizade, o namoro, o casamento, o relacionamento entre pais e filhos, entre irmãos, entre professores e alunos, entre colegas de escola ou trabalho, todos os relacionamentos inevitavelmente provocam tensões (atritos). Superfícies que se apresentem com maior dureza, podem resistir mais às colisões e permanecerem por mais tempo sem sofrerem alterações em suas formas. Deste modo, não se arredondam e continuam a atritar com as outras superfícies com a mesma morosidade. Com isso, não conseguem fluir como as outras, com a mesma leveza e rapidez.
As arestas não permitem muitas aproximações entre as pedras. Ao se chocarem, elas imediatamente se afastam umas das outras. São como espinhos que ferem e impedem de se encontrarem em suas partes mais essenciais.
Homens e mulheres possuem arestas. Diferenças e semelhanças podem ser entendidas como ameaças à integridade física e moral por ambos. Dependendo de como essas diferenças são passadas de um para o outro, a compreensão das mesmas pode receber conotação construtiva ou destrutiva, transformando-se em arestas.
O rio e a vida levam. As pedras são carregadas juntamente com as águas rumo ao mar. Na aventura de se viver humanamente, quem sabe perder, permitindo-se quebrar as próprias arestas, não perde verdadeiramente. Consegue entender que, perdendo aprimora-se, o que implica em ganhos maiores, como: maior intimidade e profundidade com os pares, maior leveza e rapidez para chegar ao objetivo.
Por José Morelli
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Temperamentos
Esta palavra vem de tempero, condimento que dá sabor diferente aos alimentos. Somos gente, pessoas humanas. Neste aspecto não nos diferenciamos uns dos outros, sejamos do sexo masculino ou feminino. Porém, à semelhança dos pratos culinários, trazemos em nossa maneira de ser uma espécie de tempero que influencia em nossa singularidade, em nossas formas concretas de agir e de reagir.
Sabores doces, amargos ou azedos. Cada um de nós tem o seu tempero ou temperamento como uma característica predominante que nos influencia, uma tendência que nos distingue e marca, o que não deve se constituir como problema; pelo contrário, deve tornar-nos mais variados uns perante aos outros, fazendo com que a vida nos seja menos monótona e enfadonha.
Sangüíneos, fleumáticos, longilíneos, brevilíneos. Estes são alguns dos tipos de temperamentos conhecidos desde há muitos anos e capazes de identificar as características mais marcantes de cada um nós.
De tipo sangüíneo são aquelas pessoas que são fortemente tomadas pela emoção em qualquer circunstância. Não escondem o que estão sentindo. Podem até ficar vermelhas com relativa facilidade. O temperamento pode determinar também o tipo físico de um indivíduo.
Os fleumáticos são o oposto dos sanguíneos. Não apresentam reações emocionais de imediato. Contam até dez antes de tomarem uma atitude, têm a capacidade de pensar antes de esboçarem qualquer reação. Os ingleses são vistos como tipos fleumáticos característicos.
Longilíneos são aqueles indivíduos que, tendo um tipo físico alto e magro, se apresentam mais como introvertidos em suas maneiras de agir, são menos expansivos não dando demonstrações de grande entusiasmo ou alegria. São contidos. Há alguns que desenvolvem boa capacidade poética, no intuito de poderem dar vazão às suas emoções.
Quanto aos brevilíneos, são aqueles que, muitas vezes, apresentam uma constituição física gorda e baixa. São expansivos, bonachões, alegres e divertidos. Entusiasmam-se com facilidade, mas também desanimam diante das primeiras dificuldades.
De certo inglês, conta-se que, viajando em um trem, fumava tranquilamente seu cachimbo. À sua frente, uma senhora que trazia um cachorrinho no colo, sentia-se incomodada com a fumaça que vinha das baforadas que o homem dava de tempo em tempo. Num dado momento, não suportando mais o desrespeito e sem cerimônia do cidadão, a senhora tirou-lhe o cachimbo da boca e o jogou para fora do trem, pela janela. O homem não esboçou nenhuma reação. Passado algum tempo, porém, ele pegou o cachorrinho do colo da senhora e disse-lhe: “Vai pegar o meu cachimbo!” e jogou-o pela mesma janela, para fora do trem.
Por José Morelli
Sabores doces, amargos ou azedos. Cada um de nós tem o seu tempero ou temperamento como uma característica predominante que nos influencia, uma tendência que nos distingue e marca, o que não deve se constituir como problema; pelo contrário, deve tornar-nos mais variados uns perante aos outros, fazendo com que a vida nos seja menos monótona e enfadonha.
Sangüíneos, fleumáticos, longilíneos, brevilíneos. Estes são alguns dos tipos de temperamentos conhecidos desde há muitos anos e capazes de identificar as características mais marcantes de cada um nós.
De tipo sangüíneo são aquelas pessoas que são fortemente tomadas pela emoção em qualquer circunstância. Não escondem o que estão sentindo. Podem até ficar vermelhas com relativa facilidade. O temperamento pode determinar também o tipo físico de um indivíduo.
Os fleumáticos são o oposto dos sanguíneos. Não apresentam reações emocionais de imediato. Contam até dez antes de tomarem uma atitude, têm a capacidade de pensar antes de esboçarem qualquer reação. Os ingleses são vistos como tipos fleumáticos característicos.
Longilíneos são aqueles indivíduos que, tendo um tipo físico alto e magro, se apresentam mais como introvertidos em suas maneiras de agir, são menos expansivos não dando demonstrações de grande entusiasmo ou alegria. São contidos. Há alguns que desenvolvem boa capacidade poética, no intuito de poderem dar vazão às suas emoções.
Quanto aos brevilíneos, são aqueles que, muitas vezes, apresentam uma constituição física gorda e baixa. São expansivos, bonachões, alegres e divertidos. Entusiasmam-se com facilidade, mas também desanimam diante das primeiras dificuldades.
De certo inglês, conta-se que, viajando em um trem, fumava tranquilamente seu cachimbo. À sua frente, uma senhora que trazia um cachorrinho no colo, sentia-se incomodada com a fumaça que vinha das baforadas que o homem dava de tempo em tempo. Num dado momento, não suportando mais o desrespeito e sem cerimônia do cidadão, a senhora tirou-lhe o cachimbo da boca e o jogou para fora do trem, pela janela. O homem não esboçou nenhuma reação. Passado algum tempo, porém, ele pegou o cachorrinho do colo da senhora e disse-lhe: “Vai pegar o meu cachimbo!” e jogou-o pela mesma janela, para fora do trem.
Por José Morelli
sexta-feira, 23 de março de 2012
"Dar-se um tiro no pé"
Por absurdo que possa parecer, alguma parcela de verdade revela esta conhecida expressão da língua portuguesa. Claro que o seu significado se aplica menos em sentido literal, do que em sentido figurado. Poucos seriam aqueles que teriam coragem de disparar um tiro de revólver sobre o próprio pé, É mais fácil acontecer de darem-se outros tipos de tiros, atitudes negativas capazes de detonar chances de sucesso ou êxito.
Porque o pé e não a mão ou qualquer outra parte do corpo? Acredito que seja em função de o pé, ou os pés serem os responsáveis pelo caminhar, pelo ir para frente e são as partes do corpo que levam as pessoas aos lugares em que elas conscientemente querem ou que, por alguma razão oculta, inconscientemente, não querem. Dar-se um tiro no pé é o mesmo que impedir-se de chegar aos lugares, é roubar-se a oportunidade que a vida ou o esforço já despendido proporcionam.
Cada pessoa funciona do seu jeito. O mesmo se pode dizer das instituições e entidades em geral. Neste caso, o comportamento é coletivo e não individual. Pessoas e grupos podem funcionar a favor de si mesmos ou contra aquilo que lhes é favorável.
Um sentido crítico muito exigente pode levar a dúvidas. Quem pensa demais para se casar encontra razões a favor e contra ao casamento. Colocando-as em cima da balança, os pratos desta podem não pender nem para um lado nem para o outro, ficando em equilíbrio. As atitudes que emergem do inconsciente podem permitir que razões ocultas venham à tona.
Os negócios das empresas visam o seu próprio crescimento. Esse crescimento implica em conquistas de posições de liderança e responsabilidades. Uma ascensão social pode assustar, parecendo exigir mais condições do que seus proprietários julgam possuir. Um sócio não é igual ao outro. Enquanto um age positivamente outro pode agir ao contrário, dando-se a si e à empresa um tiro no pé. Dentre aqueles que são filiados a uma instituição seja ela qual for também pode acontecer da mesma forma. Enquanto grande parte deles age na mão certa, outros agem na contra mão do que a instituição se propõe em seus objetivos.
Desde que condicionado à matéria, nenhum posicionamento é absoluto em sua importância. Filtrada pela mente, a realidade, no tempo e no espaço, possui um dimensionamento relativo. É esta a chave que abre o entendimento de atitudes absurdas que se assemelham ou igualam àquelas de se dar um tipo de tiro no próprio pé.
Por José Morelli
Porque o pé e não a mão ou qualquer outra parte do corpo? Acredito que seja em função de o pé, ou os pés serem os responsáveis pelo caminhar, pelo ir para frente e são as partes do corpo que levam as pessoas aos lugares em que elas conscientemente querem ou que, por alguma razão oculta, inconscientemente, não querem. Dar-se um tiro no pé é o mesmo que impedir-se de chegar aos lugares, é roubar-se a oportunidade que a vida ou o esforço já despendido proporcionam.
Cada pessoa funciona do seu jeito. O mesmo se pode dizer das instituições e entidades em geral. Neste caso, o comportamento é coletivo e não individual. Pessoas e grupos podem funcionar a favor de si mesmos ou contra aquilo que lhes é favorável.
Um sentido crítico muito exigente pode levar a dúvidas. Quem pensa demais para se casar encontra razões a favor e contra ao casamento. Colocando-as em cima da balança, os pratos desta podem não pender nem para um lado nem para o outro, ficando em equilíbrio. As atitudes que emergem do inconsciente podem permitir que razões ocultas venham à tona.
Os negócios das empresas visam o seu próprio crescimento. Esse crescimento implica em conquistas de posições de liderança e responsabilidades. Uma ascensão social pode assustar, parecendo exigir mais condições do que seus proprietários julgam possuir. Um sócio não é igual ao outro. Enquanto um age positivamente outro pode agir ao contrário, dando-se a si e à empresa um tiro no pé. Dentre aqueles que são filiados a uma instituição seja ela qual for também pode acontecer da mesma forma. Enquanto grande parte deles age na mão certa, outros agem na contra mão do que a instituição se propõe em seus objetivos.
Desde que condicionado à matéria, nenhum posicionamento é absoluto em sua importância. Filtrada pela mente, a realidade, no tempo e no espaço, possui um dimensionamento relativo. É esta a chave que abre o entendimento de atitudes absurdas que se assemelham ou igualam àquelas de se dar um tipo de tiro no próprio pé.
Por José Morelli
quarta-feira, 14 de março de 2012
Chão
Dos estudos da antropologia, aprende-se que os antepassados do homem deixaram de viver sobre árvores e passaram a viver no chão. A partir daí, o macaco-homem foi, gradativamente, perdendo sua habilidade de agarrar-se e de dar impulsos com os braços e com as mãos e passando a desenvolver suas pernas, ganhando mais habilidade de se locomover pisando o solo terreno.
Com o aprendizado de lascar a pedra e a descoberta do fogo, sua vida se tornou mais segura, frente aos outros animais, que o tinham como presa fácil de ser capturada e devorada. Desalojando ursos e outros bichos de suas cavernas, passou a morar nelas, transformando-as em sua nova habitação e lugar onde seus filhotes e fêmeas podiam permaner, dia e noite, melhor protegidos do frio, da chuva e de outras agressões da natureza.
Depois vieram as casas construídas de pedra ou de madeira e recorbertas de palha. Com tudo isso, o chão foi se constituindo como o lugar ideal para o homem, lugar onde ele se sentia o dono do pedaço, seguro de que dali ninguém o tiraria.
O tempo foi passando... a raça humana foi evoluindo em seus pensamentos e nos meios de preservar-se. Assim, o número de humanos foi aumentando, crescendo em largas proporções. Aldeias foram se transformando em cidades. Casas térreas foram ganhando mais andares. Técnicas e arte se aliaram para a edificação de grandes castelos, igrejas, torres... O homem conseguiu desenvolver uma grande capacidade de planejar e fabricar muitas coisas, para o seu bem estar e conforto, criando inventos que fizeram crescer o domínio do homem sobre a terra, o ar e as profundezas dos oceanos. Por outro lado, com esta sua mesma capacidade, o homem desenvolveu também armas e outros meios de destruição.
Os maiores predadores dos humanos passaram a ser os próprios humanos. Em sua mente e em seu sentimento o chão voltou a ser percebido e sentido como perigoso e inseguro da mesma forma como o foi para os primatas do homem. Nas mentes e nos corações passaram a se desenvolver duas culturas antagônicas: a da paz e a da violência. Ambas se desenvolvem mediante o aprendizado.
As crianças são sensíveis a uma ou a outra dessas duas culturas. Talvez seja em função de todo esse histórico que, nos desenhos infantis, algumas crianças venham preferindo fazer as figuras voando, soltas no ar, sem que o chão lhes sirvam como base, uma forma de retornarem à segurança do alto das árvores.
Por José Morelli
Com o aprendizado de lascar a pedra e a descoberta do fogo, sua vida se tornou mais segura, frente aos outros animais, que o tinham como presa fácil de ser capturada e devorada. Desalojando ursos e outros bichos de suas cavernas, passou a morar nelas, transformando-as em sua nova habitação e lugar onde seus filhotes e fêmeas podiam permaner, dia e noite, melhor protegidos do frio, da chuva e de outras agressões da natureza.
Depois vieram as casas construídas de pedra ou de madeira e recorbertas de palha. Com tudo isso, o chão foi se constituindo como o lugar ideal para o homem, lugar onde ele se sentia o dono do pedaço, seguro de que dali ninguém o tiraria.
O tempo foi passando... a raça humana foi evoluindo em seus pensamentos e nos meios de preservar-se. Assim, o número de humanos foi aumentando, crescendo em largas proporções. Aldeias foram se transformando em cidades. Casas térreas foram ganhando mais andares. Técnicas e arte se aliaram para a edificação de grandes castelos, igrejas, torres... O homem conseguiu desenvolver uma grande capacidade de planejar e fabricar muitas coisas, para o seu bem estar e conforto, criando inventos que fizeram crescer o domínio do homem sobre a terra, o ar e as profundezas dos oceanos. Por outro lado, com esta sua mesma capacidade, o homem desenvolveu também armas e outros meios de destruição.
Os maiores predadores dos humanos passaram a ser os próprios humanos. Em sua mente e em seu sentimento o chão voltou a ser percebido e sentido como perigoso e inseguro da mesma forma como o foi para os primatas do homem. Nas mentes e nos corações passaram a se desenvolver duas culturas antagônicas: a da paz e a da violência. Ambas se desenvolvem mediante o aprendizado.
As crianças são sensíveis a uma ou a outra dessas duas culturas. Talvez seja em função de todo esse histórico que, nos desenhos infantis, algumas crianças venham preferindo fazer as figuras voando, soltas no ar, sem que o chão lhes sirvam como base, uma forma de retornarem à segurança do alto das árvores.
Por José Morelli
sexta-feira, 2 de março de 2012
Fio da meada
Achar o “fio da meada” é uma expressão de nossa língua. Vi, no dicionário, que “meada” significa “porção de fios dobrados, emaranhados”. Quem já passou pela experiência de desmanchar um emaranhado de fios, sentiu a importância de encontrar a ponta para que o serviço fique mais fácil de ser realizado. Desde que a tenha encontrado, não que o trabalho deixe de exigir esforço e paciência, mas passa a render e a ter uma razão de continuidade com melhor definição de seu príncipio, meio e fim. Desmanchar um emaranhado de fios é um processo a ser realizado em etapas. Respeitar a seqüência natural dessas etapas, contendo-se na própria ansiedade, é um fator indispensável para que a tarefa seja realizada bem e com rapidez. “É preciso ter paciência!...” costumam dizer algumas pessoas. Em casos como esse, “a pressa é inimiga da perfeição”, dizem outras. A pressa, a falta de paciência dificultam os indivíduos de entrarem em contato com aquilo que estão fazendo. A sintonia do olhar com o objeto, a boa coordenação dos movimentos das mãos,... essas e outras condições deixam de existir, quando falta controle emocional.
Um emaranhado de fios pode muito bem servir de comparação para muitas situações da vida, no dia-a-dia. Embora nenhuma comparação seja perfeita, o uso delas pode ajudar, tanto na expressão das ideias, através da linguagem, como no exercício dos próprios desempenhos - (“performances”), em atitudes concretas, que envolvam o corpo, forçando-o a mobilizar-se e a mexer-se.
Pensando no que foi visto até aqui, talvez se possa dizer que o corpo é a ponta do fio da meada. Encontrando-o, fica mais fácil “desenrolar” o problema, no que ele tem de mais profundo, de mais enrolado. Neste caso, as partes do corpo, envolvidas, poderiam ser entendidas como “terminais”, assim como os dos computadores, ligados às centrais de informações e de dados.
A profundidade ou complexidade da vida humana, no entanto, não pode resumir-se a noções mecanicistas. Embora certas idéias e metodologias possam ajudar na solução de problemas de ordem psicológica, não conseguem esgotar o que é necessário, para o desvendamento mais completo de suas causas. Na mão dupla dos caminhos, o sentido oposto, repesentado pelo inconsciente e seus meandros, completam os recursos disponíveis, num imenso arsenal, dinâmico e incomensurável, à disposição dos profissionais, que se dedicam a esse estudo e a essa busca de solução de problemas humanos.
Por José Morelli
Um emaranhado de fios pode muito bem servir de comparação para muitas situações da vida, no dia-a-dia. Embora nenhuma comparação seja perfeita, o uso delas pode ajudar, tanto na expressão das ideias, através da linguagem, como no exercício dos próprios desempenhos - (“performances”), em atitudes concretas, que envolvam o corpo, forçando-o a mobilizar-se e a mexer-se.
Pensando no que foi visto até aqui, talvez se possa dizer que o corpo é a ponta do fio da meada. Encontrando-o, fica mais fácil “desenrolar” o problema, no que ele tem de mais profundo, de mais enrolado. Neste caso, as partes do corpo, envolvidas, poderiam ser entendidas como “terminais”, assim como os dos computadores, ligados às centrais de informações e de dados.
A profundidade ou complexidade da vida humana, no entanto, não pode resumir-se a noções mecanicistas. Embora certas idéias e metodologias possam ajudar na solução de problemas de ordem psicológica, não conseguem esgotar o que é necessário, para o desvendamento mais completo de suas causas. Na mão dupla dos caminhos, o sentido oposto, repesentado pelo inconsciente e seus meandros, completam os recursos disponíveis, num imenso arsenal, dinâmico e incomensurável, à disposição dos profissionais, que se dedicam a esse estudo e a essa busca de solução de problemas humanos.
Por José Morelli
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
A força da fraqueza
Não é só a força que é forte, a fraqueza pode, também, ser forte e como!... Olhando para o que acontece à volta e para a própria vida, pode-se observar a verdadeira dimensão da fraqueza como impulsionadora de muitas ações: um mal-estar, uma tontura, um choro, uma “cara com bico”, uma chantagem emocional e outras “fraquezas” são capazes de mobilizar grandes esforços.
A fraqueza sensibiliza. A criança logo percebe como conseguir aquilo que quer, através da manifestação de sua dependência e impotência. A necessidade de mostrar-se forte, por parte dos pais e dos adultos em geral, faz com que estes não queiram decepcionar, respondendo e correspondendo às demandas das crianças.
Se, no lugar de apostar na própria fraqueza, investindo em manifestações de incapacidades, os adultos principalmente avaliassem o quanto de força se esconde em muitas de suas fraquezas, certamente abandonariam essa estratégia de apostar tantas fichas nelas, dando-se a chance de se descobrirem como pessoas mais capazes e menos comodistas.
Algumas pessoas conseguem ser exemplo desse tipo de atitude positiva. Dentre os portadores de deficiências, percebe-se cada vez mais que não querem nem se sentirem incapazes, nem que os outros os vejam dessa forma.
Procuram se superar, desenvolvendo ao máximo o que conseguem de suas potencialidades. Transformam a própria fraqueza em estímulo de força para se superarem. Transferem a energia que seria despendida pelos membros deficientes para aqueles que são mais saudáveis, desenvolvendo-os e aprimorando-os em suas capacidades.
O professor Milton Santos, já falecido, quando de sua participação no programa “Roda Viva”, na TV-Cultura, chamou a atenção para um fato, que considerava motivo e razão de esperança para os brasileiros e para o Brasil. Tratava-se do predomínio da população jovem, comparado ao da população adulta, e da condição de pobreza material em que vive grande parte destes jovens (fraqueza?). Dizia ele que era exatamente nisso que residia o maior estímulo deles buscarem superar as más condições em que se encontravam, desde que lhes fossem dadas oportunidades. A mentalidade de não se fazer de coitado, mas de acreditar em si, é o que faz mudar a vida das pessoas e do país.
Toda proposição precisa ser vista com bom senso. A proposição, contida nesta coluna, não foge à esta regra. De maneira equilibrada, sugiro ao amigo leitor/a, que avalie as fraquezas que envolvem a própria vida e veja se e como a força se faz presente em suas “fraquezas”.
Por José Morelli
A fraqueza sensibiliza. A criança logo percebe como conseguir aquilo que quer, através da manifestação de sua dependência e impotência. A necessidade de mostrar-se forte, por parte dos pais e dos adultos em geral, faz com que estes não queiram decepcionar, respondendo e correspondendo às demandas das crianças.
Se, no lugar de apostar na própria fraqueza, investindo em manifestações de incapacidades, os adultos principalmente avaliassem o quanto de força se esconde em muitas de suas fraquezas, certamente abandonariam essa estratégia de apostar tantas fichas nelas, dando-se a chance de se descobrirem como pessoas mais capazes e menos comodistas.
Algumas pessoas conseguem ser exemplo desse tipo de atitude positiva. Dentre os portadores de deficiências, percebe-se cada vez mais que não querem nem se sentirem incapazes, nem que os outros os vejam dessa forma.
Procuram se superar, desenvolvendo ao máximo o que conseguem de suas potencialidades. Transformam a própria fraqueza em estímulo de força para se superarem. Transferem a energia que seria despendida pelos membros deficientes para aqueles que são mais saudáveis, desenvolvendo-os e aprimorando-os em suas capacidades.
O professor Milton Santos, já falecido, quando de sua participação no programa “Roda Viva”, na TV-Cultura, chamou a atenção para um fato, que considerava motivo e razão de esperança para os brasileiros e para o Brasil. Tratava-se do predomínio da população jovem, comparado ao da população adulta, e da condição de pobreza material em que vive grande parte destes jovens (fraqueza?). Dizia ele que era exatamente nisso que residia o maior estímulo deles buscarem superar as más condições em que se encontravam, desde que lhes fossem dadas oportunidades. A mentalidade de não se fazer de coitado, mas de acreditar em si, é o que faz mudar a vida das pessoas e do país.
Toda proposição precisa ser vista com bom senso. A proposição, contida nesta coluna, não foge à esta regra. De maneira equilibrada, sugiro ao amigo leitor/a, que avalie as fraquezas que envolvem a própria vida e veja se e como a força se faz presente em suas “fraquezas”.
Por José Morelli
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Asas à imaginação
Os seres humanos não possuem asas como as aves e as borboletas; mas, nem por isso seus pensamentos deixam de proceder como se as tivessem. Com elas, a capacidade imaginativa do homem é capaz de voar como os pássaros que, em bando, cruzam velozmente o céu indo ao chão, a um telhado, escondendo-se entre as folhas verdes de uma árvore qualquer ou como borboletas que, num piscar de olhos, passam de flor em flor.
O destino humano não poderia se prender apenas a ciscar o chão como as galinhas. Santos Dumont perseguiu seu sonho de voar até conseguir realizá-lo. A insatisfação serviu-lhe como estímulo à sua criatividade e inventividade. Por não ser completo, o ser humano tende sempre a buscar mais, a superar-se. Esta tem sido a força motriz do progresso, caminho irreversível trilhado pela humanidade, em todas as áreas do conhecimento.
Os desafios que se apresentam todos os dias precisam de muita imaginação para que possam ser superados. A valorização da capacidade de imaginar, de dar asas ao pensamento, num sentido construtivo, é imprescindível nos dias de hoje, tão cheios de impasses frente aos graves problemas que indivíduos e sociedade enfrentam.
Da imaginação é preciso se passar à ação. Da liberdade é preciso se passar à realidade. O direito de um termina quando se confronta com o direito de outro. Até os pássaros possuem um sistema de controle ao qual cada um deles responde imediatamente. Em seus vôos, eles se mantêm eqüidistantes uns dos outros, ao fazerem curvas e ao controlarem a própria velocidade.
Com os cidadãos e cidadãs acontece de maneira semelhante. Quanto maiores os avanços, mais complexas e exigentes serão as relações humanas. Com a imaginação, dotada de potentes asas, indivíduo e sociedade podem expandir seus repertórios de respostas, a fim de atenderem às demandas de cada novo momento.
Por José Morelli
O destino humano não poderia se prender apenas a ciscar o chão como as galinhas. Santos Dumont perseguiu seu sonho de voar até conseguir realizá-lo. A insatisfação serviu-lhe como estímulo à sua criatividade e inventividade. Por não ser completo, o ser humano tende sempre a buscar mais, a superar-se. Esta tem sido a força motriz do progresso, caminho irreversível trilhado pela humanidade, em todas as áreas do conhecimento.
Os desafios que se apresentam todos os dias precisam de muita imaginação para que possam ser superados. A valorização da capacidade de imaginar, de dar asas ao pensamento, num sentido construtivo, é imprescindível nos dias de hoje, tão cheios de impasses frente aos graves problemas que indivíduos e sociedade enfrentam.
Da imaginação é preciso se passar à ação. Da liberdade é preciso se passar à realidade. O direito de um termina quando se confronta com o direito de outro. Até os pássaros possuem um sistema de controle ao qual cada um deles responde imediatamente. Em seus vôos, eles se mantêm eqüidistantes uns dos outros, ao fazerem curvas e ao controlarem a própria velocidade.
Com os cidadãos e cidadãs acontece de maneira semelhante. Quanto maiores os avanços, mais complexas e exigentes serão as relações humanas. Com a imaginação, dotada de potentes asas, indivíduo e sociedade podem expandir seus repertórios de respostas, a fim de atenderem às demandas de cada novo momento.
Por José Morelli
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