Quando esta edição da Gazeta Penhense já estiver nas bancas à disposição de seus leitores e leitoras (sábado dia 2 de junho), o Largo do Rosário da Penha se encontrará devidamente decorado por centenas de bandeirinhas multicores e pronto para que as festividades relacionadas ao aniversário da bicentenária igreja, construída por negros escravizados bem como libertos (alforriados), possa ter sua solene abertura. No domingo (dia 3) a partir das 10 horas da manhã, será realizada uma missa com elementos de cultura afro brasileira, seguida do levantamento do mastro em louvor aos padroeiros: Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
O tema escolhido
pela Comunidade para esta 17ª edição da festa é: SOMOS TODOS CONTAS DE UM MESMO
ROSÁRIO, um convite à união e à cooperação mútua. Como é do conhecimento dos
que são mais próximos ao assunto, o rosário é composto de muitas contas, cada
uma servindo à contagem seja da oração de ave-marias (150), seja à contagem da
oração de pais-nossos (15). De acordo com a tradição dos grupos de congados, o
importante é que o rosário não se rompa; principalmente, quando da ocasião das
festas, mantendo suas contas sempre unidas umas às outras. Para eles, as contas
do rosário são também entendidas como metáfora do coletivo, isto é: da vida de
comunhão de uns com os outros, inclusive com a natureza que está à volta.
A programação da
festa em seu todo está chegando às mãos daqueles e daquelas que por ela se
interessam. Como nos anos anteriores, desde que se iniciaram essas festas, a
Gazeta Penhense divulgará passo a passo os eventos de cada semana. Não Só os
que acontecerão no Largo e na Igreja, mas os de caráter mais cultural e
artístico que ocorrerão no Centro Cultural da Penha, no Teatro Flávio Império,
no CESC Belenzinho ou em ruas centrais do bairro, quando da procissão no dia
principal da festa em 24 de junho (domingo).
Um tempo forte
de sensibilização é instaurado no sentido de contribuir para uma maior
valorização do que vem a ser um patrimônio histórico. Em nosso caso, a história
que se depreende do ícone que é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos homens
pretos da Penha, ligada à presença de afro descendentes na cidade de São Paulo e,
especialmente, em nossa na Zona Leste. Precisamos de asas e de raízes, que nos permitam
firmeza ao solo que pisamos com nossos pés e sobre o qual vivemos e convivemos.
Somos mais fortes quando assumimos nossa própria história.
Postado por José Morelli
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