Comparando, podemos dizer que, quando uma pessoa busca um maior conhecimento de si mesma e, conseqüentemente, um sentimento mais forte e controlado em si, através da análise ou da psicoterapia, é como se, a cada sessão, ela lançasse um balde no fundo do poço e dele fosse retirando uma porção de coisas que, no decorrer do tempo, haviam sido nele abandonadas.
Imaginando que, dentre essas coisas, depositadas no fundo do poço,
estivesse também uma jóia preciosa, o objetivo das buscas seria recuperá-la.
Certamente, a perda de algo precioso compromete a satisfação, a descontração, a
felicidade e mesmo a saúde da pessoa.
Recuperar a jóia perdida é reaver-se com ela também. A descoberta de
sua existência, a limpeza do lodo que a envolvia, no fundo do poço, e a
devolução de seu brilho e beleza é uma tarefa trabalhosa, mas extremamente
gratificante.
Possuir uma jóia preciosa perdida dentro de si é possuir uma
qualidade, que não consegue se desenvolver e produzir frutos, por causa de
algum bloqueio, de alguma resistência. O exercício de superação desse bloqueio
vai propiciando à pessoa, de maneira gradativa talvez, a ampliação de sua visão
e de sua percepção de si e do universo que a cerca, proporcionando-lhe uma
convivência e interação mais harmoniosa consigo mesma e com o melhor de sua
potencialidade.
Tendo recuperado a jóia perdida, a pessoa sente-se mais dona de si,
com mais coragem para assumir-se e administrar-se em suas qualidades,
conseguindo aperfeiçoa-las e minimizá-las em suas limitações e defeitos, bem
como nas consequências negativas que destes poderiam advir.
A jóia perdida como dei a entender no
início desta coluna, é uma comparação apenas. Por isso, embora ela não consiga
ser perfeita para expressar toda a realidade, que envolve o processo de busca, na
psicoterapia e na análise, ajuda-nos a compreendê-la um pouco melhor, e isto
não deixa de ser muito bom.
Postado por José Morelli
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