quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Elemento água

 Com o calor, nestes primeiros dias do ano, não há como não atentarmos para a importância da água: bebemos mais desse precioso líquido neste tempo, suamos com mais intensidade, aumentamos o número de banhos, sejam eles em chuveiros, cachoeiras, praias ou piscinas.

Se, no ano passado, a diminuição de água, nos reservatórios, forçou-nos a conscientizar-nos da importância do uso racional da água, neste começo de ano de 2016, forçosamente, passamos a olhar e sentir a esse elemento com outros olhos e com outros sentimentos. Nosso modo de conceitua-la e de senti-la foi e vem se modificando, levando-nos a não desperdiça-la e otimizando seu uso. 

Alguns acontecimentos recentes vieram nos alertar ainda mais. Um deles foi o ocorrido com o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. De um momento para outro, o Rio Doce transformou-se num mar de lama, ocasionando mortes e destruição. Em sua extensão, a água do rio foi contaminada com grande quantidade de resíduos tóxicos.  

Outro fato que tem ocupado espaço nas notícias é o referente à proliferação da dengue. O problema que já era grave tornou-se ainda maior em função do zika vírus que também é transmitido pelo mesmo mosquito, o Aedis Aegyptus, cuja reprodução se dá em águas paradas.

Enquanto o Sul do país vem convivendo com cheias provocadas pelo excesso de chuvas, algumas regiões do Nordeste sofrem com secas que perduram a mais de dois anos. Esperamos que o Sudeste volte a ter um padrão mais normal de incidência de chuvas, a fim de que não nos falte água para geração de energia e para o nosso consumo e dos demais seres vivos.

A junção do que pensamos com o que sentimos forma uma síntese. Nossas atitudes são determinadas pelas concepções que geramos em nossas sensibilidades. Conscientizando-nos, procurando cada vez mais informações a respeito da realidade que nos envolve, passamos a nos posicionar de forma mais adequada às nossas necessidades vitais.

Postado por José Morelli

 

 

Duas vertentes para tratamentos psicológicos

 Num dos programas “Fantástico”, da Rede Globo, o Dr. Dráuzio Varella, tratando do tema sobre crianças autistas, referiu-se às maneiras de como deve ser o tratamento mais adequado desses distúrbios. Destacou de que o ideal é de que haja o concurso de profissionais de diversas áreas da saúde. Ao mencionar a psicologia, salientou que a forma mais eficaz é obtida através da abordagem comportamental.  Em seguida, foram mostradas imagens de uma clínica especializada nesse tipo de abordagem, acompanhadas de exemplificações de como são efetuados esses tratamentos tanto nas clínicas como nas famílias.

A abordagem comportamental tem como vertente as manifestações corporais/comportamentais. A partir da observação concreta dos comportamentos a serem modificados, são construídas estratégias de mudanças. Trata-se de uma metodologia que parte do externo, buscando modificar estruturas internas de funcionamentos mentais, neurológicos e emocionais. Desse primeiro ponto de vista, novas técnicas se desdobraram, nas quais o trabalho corporal se torna âncora para introspecções que ajudam na estruturação de mecanismos mentais.

A segunda vertente, ao contrário da primeira, parte do interno para o externo: do funcionamento da mente para as manifestações corporais e de atitudes.  Da mesma forma como, para alguns tipos de distúrbios, a abordagem mais eficaz é a comportamental, assim também, para outros, a abordagem mais indicada é aquela que parte da análise das manifestações internas. A psicanálise, cujo precursor foi o psiquiatra e pesquisador Dr. Sigmund Freud, desenvolve técnicas para desvendar e modificar comportamentos a partir de intervenções diretamente voltadas às manifestações do pensamento em suas várias instâncias.

O aprofundamento científico dos problemas relacionados à saúde permitem visões mais amplas das possibilidades de tratamento. Em alguns, há a necessidade de utilização de medicamentos e de tecnologias; enquanto que, em outros, o tratamento tem como base o contato pessoal com um mínimo de outras intermediações.  

Postado por José Morelli

 

Coragem

 Coragem de ser e de se apresentar como é e com as qualidades e os defeitos que lhes são próprios. Essa palavra, originária do latim, é formada da junção do vocábulo “cor”: o mesmo que coração (em português) ao sufixo “aticum”, utilizado para indicar a ação da palavra que o precede. Embora os conceitos se formem no cérebro, eles têm repercussão direta nos sentimentos.  E como estes parece terem ressonância no peito, torna-se compreensível que a construção da palavra coragem tenha muito a ver com o peito e com o coração.

Assim, a ideia expressa no livro “O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal” - de Pierre Weil e Roland Tompakon - de que a coragem dos super-heróis é mostrada no peito inflado desses personagens da ficção, fica muito bem demonstrada a importância da relação existente entre coração e coragem. Que o diga a postura corporal dos que se encontram tomados e dominados pelo medo: encolhidos e cabisbaixos.

Na verdade, coragem não significa ausência de medo. Coragem faz contraponto ao medo da mesma forma como medo faz contraponto à coragem. Enquanto uma se instala no latente (no escondido da alma), o outro se instala no manifesto, deixando-se mostrar publicamente. Coragem e medo são como a “cara” e “coroa”: duas faces de uma mesma moeda.

Todos nos construímos no decorrer de nossas vidas. É pra isso que ela nos é dada. O olhar que temos para nós mesmos e o olhar que temos para o mundo que nos cerca não pode, simplesmente, nos derrubar ou, antes, deve nos fortalecer e dar-nos segurança quanto àquilo que nos propomos realizar.  Porém, como todo exagero deve ser evitado, coragem não pode ser confundida com temeridade, que é o mesmo que excesso de ousadia, imprudência ou irresponsabilidade.

Voltando ao foco do assunto e para fechar o texto, vale registrar que a coragem serve como reforço à autoestima e que, com a nossa autoestima reforçada, aumentam nossas condições pessoais de crença nas próprias capacidades de lucidez e de Inteligência, de amor e de afetividade bem orientadas.

Posstado por José Morelli

 

 

 

30 anos

 Foi na edição da Gazeta Penhense, datada entre 07 a 14 de dezembro de 1985, que saiu a primeira publicação desta coluna de Psicologia. De lá para cá, passaram-se 30 anos cravados. Não posso dizer que parece que foi ontem, seria exagero. Talvez, então, possa dizer que parece ter sido anteontem ou há uma semana.  A matéria não trazia nenhum título. Posteriormente, dei-lhe o título de “Ao alcance de todos”. Meu esforço foi sempre de tornar acessível, ao maior número de leitores, o conteúdo desenvolvido em cada matéria.

Minha proposta era a de utilizar-me desse espaço do jornal para explanar ideias a respeito de conceitos utilizados pela psicologia e que passaram a ser incorporados no linguajar do dia a dia da população. Como exemplo dessas palavras, citei: “trauma”, “complexo”, “síndrome”, dizendo que elas refletem maneiras diferentes de se ler e interpretar a realidade.

Num parágrafo mais à frente, escrevi: “Se você vai a fundo” na compreensão da complementariedade de seus papéis sociais, analisando as situações concretas do seu dia a dia, pesando os fatores de equilíbrio e de desequilíbrio na dinâmica natural de seus relacionamentos interpessoais, vai perceber a importância dessa compreensão para o seu desempenho como cidadão, como profissional, esposo ou esposa, pai ou mãe, filho ou filha, aluno ou aluna, amigo ou amiga”.

No parágrafo final do artigo, conclui dizendo assim: “As reflexões visam sensibilizar para os fatores relevantes que estão presentes na educação, mais num sentido de reorientar para prevenir do que para remediar”. A intenção foi, realmente, a de dividir algum conhecimento que pudesse ser útil preventivamente. O número de edições publicadas em todo esse tempo, multiplicado pelo da tiragem dos três semanários: “São Paulo Leste”; “Gazeta Penhense” e “Gazeta de São Migue” permitiram que uma quantidade quase que incalculável de leitores tivesse acesso aos conteúdos das matérias publicadas.  De alguma maneira, nesses 30 anos passados, um proveitoso diálogo se estabeleceu entre mim e o jornal e entre o jornal e seus leitores, assim como você o está realizando agora.

Postado por José Morelli

Diversidade cultural

 

Quanto mais aumenta nossa capacidade de comunicação, em rapidez e alcance, vamos expandindo nossos limites de conhecimentos de outras manifestações culturais, além daquelas junto às quais nascemos e nos desenvolvemos. Os caminhos percorridos pelas diversas culturas fizeram com que elas se constituíssem de maneiras diferenciadas. O desenvolvimento de toda essa multiplicidade cultural se deveu e se deve à necessidade humana de compartilhamento, mediante trocas recíprocas de suas produções no viver e no conviver.

Todas as formas de cultura possuem seus fundamentos, suas trajetórias próprias. As linguagens de cada uma delas foram construídas a partir dos estímulos provocados pelas condições ambientais. As peculiaridades da natureza condicionaram a formação das ideias, dos utensílios domésticos, das armas de defesa e de ataque, dos instrumentos musicais e de suas sonoridades, da poesia, da prosa, da dança e de outras expressões artísticas.

Acostumamo-nos e aprendemos a gostar daquilo que nos foi e é oferecido para que vejamos e ouçamos. Identificamo-nos com as formas culturais dos lugares que fazemos parte.  Nada, no entanto, nos deve proibir de abrir-nos a outros gostos que não seja o daquilo tudo que pertence à nossa cultura de origem. Subjacente às culturas de cada país ou região, existem sempre preciosos valores a serem considerados e respeitados.

A música é considerada uma linguagem universal, podendo ser mais facilmente entendida em suas mensagens. As sonoridades musicais, ao reverberarem em nossos tímpanos, sensibilizam nosso corpo e nossa mente. A alma de cada povo pode ser mais bem captada pela musicalidade produzida por sua cultura.

Num mundo economicamente globalizado, seria fundamental que as múltiplas culturas também fossem compartilhadas globalmente. Mesmo que tendo que dar fortes braçadas para vencer a correnteza, ainda assim seria importante que tivéssemos o coração e a mente abertos para aceitação de outros povos bem como de suas respectivas culturas.

Posstado por José Morelli

 

 

A jóia perdida

Comparando, podemos dizer que, quando uma pessoa busca um maior conhecimento de si mesma e, conseqüentemente, um sentimento mais forte e controlado em si, através da análise ou da psicoterapia, é como se, a cada sessão, ela lançasse um balde no fundo do poço e dele fosse retirando uma porção de coisas que, no decorrer do tempo, haviam sido nele abandonadas.

Imaginando que, dentre essas coisas, depositadas no fundo do poço, estivesse também uma jóia preciosa, o objetivo das buscas seria recuperá-la. Certamente, a perda de algo precioso compromete a satisfação, a descontração, a felicidade e mesmo a saúde da pessoa.

Recuperar a jóia perdida é reaver-se com ela também. A descoberta de sua existência, a limpeza do lodo que a envolvia, no fundo do poço, e a devolução de seu brilho e beleza é uma tarefa trabalhosa, mas extremamente gratificante.

Possuir uma jóia preciosa perdida dentro de si é possuir uma qualidade, que não consegue se desenvolver e produzir frutos, por causa de algum bloqueio, de alguma resistência. O exercício de superação desse bloqueio vai propiciando à pessoa, de maneira gradativa talvez, a ampliação de sua visão e de sua percepção de si e do universo que a cerca, proporcionando-lhe uma convivência e interação mais harmoniosa consigo mesma e com o melhor de sua potencialidade.

Tendo recuperado a jóia perdida, a pessoa sente-se mais dona de si, com mais coragem para assumir-se e administrar-se em suas qualidades, conseguindo aperfeiçoa-las e minimizá-las em suas limitações e defeitos, bem como nas consequências negativas que destes poderiam advir.

A jóia perdida como dei a entender no início desta coluna, é uma comparação apenas. Por isso, embora ela não consiga ser perfeita para expressar toda a realidade, que envolve o processo de busca, na psicoterapia e na análise, ajuda-nos a compreendê-la um pouco melhor, e isto não deixa de ser muito bom.

Postado por José Morelli

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Maria e a mulher

 MARIA, filha de Joaquim e de Ana, nasceu menina, com corpo e alma de mulher, constituindo-se como pessoa do sexo feminino. Foi assim que Ela cresceu e se desenvolveu, tendo, em sua juventude, concebido e dado à luz JESUS, o Filho de Deus feito homem. O nome EVA significa “mãe de todos os viventes”. Maria é a nova EVA. Do alto de sua cruz, Jesus anunciou-Lhe e ao mundo que Ela, além de ter sido sua mãe, era também mãe de todos os seres humanos, os já nascidos e os que viriam a nascer da mulher.

O batismo é o sinal desta nova consciência. Toda mulher, por sua capacidade física e espiritual de gerar filhos para o mundo e para Deus, traz em si dimensão semelhante à de Maria por sua maternidade divina, Jesus ressuscitado, elevado junto ao Pai e ao Espírito Santo, é o primogênito e representante de todos os seus irmãos menores. Nele, a salvação já está plenamente realizada. Pela adesão a essa fé, cada ser humano passa a participar conscientemente da Família de Deus na Terra, constituindo-se como Igreja, Comunidade dos Filhos de Deus.

Segundo a definição bíblica, Deus é Amor. Jesus é o Amor de Deus feito gente. A vida é verdadeiramente vida, quando existe amor. Todo ser humano, independentemente do sexo, idade, cor, condição social, já é capaz de amar e de fazer o bem, suscitando esta mesma chama de esperança no coração de seus irmãos, dando-lhes alento e coragem para viverem a vida mais plena e intensamente.

Neste sentido, a capacidade geradora de Vida, que é Amor, não é só da mulher, mas de todo ser humano, seja ele do sexo masculino ou feminino. Dessa forma, homens e mulheres se assemelham a Maria, em sua missão de gerar a vida de Deus em cada coração humano, em todo tempo e lugar.

Olhar cada mulher como Maria é dimensioná-la sob a ótica da fé, respeitando a dignidade que lhe é própria. A mulher que, por sua vez, se olha e se reconhece em sua semelhança com Maria, valoriza-se e se impõe em seu valor por seus gestos e intenções. 

Postado por José Morelli