Ou melhor: Representantes & Representados, significando os que se fazem presentes/presentes e os que se fazem presentes/porém ausentes, mas apenas representados por seus representantes. O “&” associativo conecta uns aos outros, estabelecendo uma interdependência entre eles. Numa sociedade plural em que diferenças marcam as características dos indivíduos e dos coletivos, a representatividade deve contemplar essas diferenças de modo a que elas não deixem, também, de serem devidamente assinaladas e consideradas nos momentos em que são tomadas as decisões, que interferem na vida de cada um e de toda coletividade.
Desde os tempos
da Grécia Antiga, a palavra democracia (poder que se fundamenta e emana do
povo) vem sendo utilizada como fórmula, mesmo que não perfeita, de organização
de uma sociedade formalmente constituída.
No momento histórico em que estamos vivendo, não só, mas principalmente
em nosso país, a “caixa preta” da política e das relações desta com os poderes
econômicos se escancarou, evidenciando-se que os representantes “escolhidos”
não o foram propriamente pelo povo; mas pelo poder econômico que já os havia
comprado, mediante financiamento de suas campanhas.
Por mais nefasta
que possa ser toda essa situação momentânea que estamos vivenciando, ainda ela
pode e deve ser a grande oportunidade de conscientização política do povo e de
toda a nação brasileira: o desmascaramento não só do caráter das pessoas
envolvidas politicamente, em tantas ações criminosas, como também da estrutura
que deu e dá sustentação a essas ações. Todos os poderes, tanto aqueles que têm
acesso através do voto popular como aqueles que são escolhidos indiretamente,
como o caso do judiciário, merecem ser revistos e reformulados em suas
estruturas de organização e de sustentabilidade.
É ao povo que se
deve devolver o poder. E, para que este volte às suas origens como democracia,
é preciso que, juntamente com a escolha de novos representantes através do voto
direto, seja também criada uma nova constituinte que, antes de outras reformas,
reorganize o país através de uma reforma política blindando-a, o quanto
possível, das interferências indevidas e ilegítimas, venham elas de como e de onde
vierem.
Postado por José Morelli
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