sábado, 22 de agosto de 2026

As águas da Penha

 Sabemos que o Rio Tietê nasce no município de Salesópolis, próximo a Mogi das Cruzes. Partindo de sua nascente, atravessa a Cidade e o Estado de São Paulo e vai desaguar nas barrancas do Rio Paraná. Antes de sua retificação no trecho da capital, o Tietê era sinuoso, possuindo uma várzea imensa, onde se formavam muitas lagoas de variados tamanhos e profundidades. Nessa época não havia tantos problemas com as enchentes na cidade de São Paulo; uma vez que o solo, ainda não tão impermeabilizado pelo asfalto e nem pela quantidade de concreto em tantas construções, conseguia absorver o excedente das torrenciais chuvas. 

O Tietê faz a divisa entre a Penha e o município de Guarulhos. Os córregos Tiquatira, Aricanduva, Rincão e Guiaúna contornam a colina em suas áreas mais baixas. Direta ou indiretamente, as águas desses e de outros córregos têm como destino o Tietê. Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, os indígenas habitavam as terras que hoje se estendem desde a Penha até São Miguem Paulista. O nome dado a esses territórios era de Campos de Ururaí.

Além dos rios que circundam a Penha, inúmeras nascentes abasteciam as primeiras comunidades em todos os seus recantos. As águas dessas nascentes sempre foram muito abundantes. Com as derrubadas das matas e a impermeabilização do solo, essas nascentes foram, pouco a pouco, deixando de promover o afloramento das águas advindas das camadas mais profundas do sobsolo.

No subterrâneo da Penha ainda existem algumas galerias pluviais de porte relativamente grande, construídas na medida em que foram feitos os traçados das primeiras vias que cortaram o bairro, nas principais direções de acessos a outros lugares. Quando a necessidade de urbanização se tornou mais urgente, dado o rápido crescimento demográfico da região, a preocupação de manter as condições de manutenção das nascentes e de tornar os rios saudáveis em seus trajetos foi totalmente relegada a segundo/terceiro plano.

Se, no passado, os moradores da Penha tinham a consciência da importância das águas, com as quais conviviam cotidianamente e delas faziam uso para inúmeros fins; hoje toda essa familiaridade já não é percebida. O gigantismo da cidade mudou os esquemas. Quando a água encanada chegou à Penha, a festa não foi maior por causa da chuva intensa que veio atrapalhar o importante acontecimento.

O preço que está sendo pago pelo progresso tem sido muito alto. Compensações são possíveis de serem realizadas. Em propriedades particulares existem exemplos magníficos de boas utilizações de engenharias e de arquiteturas capazes de proporcionar maravilhas com as águas.  O aprimoramento da vida em sociedade não pode esquecer de que a saúde física e mental da população tem, nas águas, uma demanda necessária para que todos possam usufruir desse bem imprescindível.

Postado por José Morelli

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