Sabemos que o Rio Tietê nasce no município de Salesópolis, próximo a Mogi das Cruzes. Partindo de sua nascente, atravessa a Cidade e o Estado de São Paulo e vai desaguar nas barrancas do Rio Paraná. Antes de sua retificação no trecho da capital, o Tietê era sinuoso, possuindo uma várzea imensa, onde se formavam muitas lagoas de variados tamanhos e profundidades. Nessa época não havia tantos problemas com as enchentes na cidade de São Paulo; uma vez que o solo, ainda não tão impermeabilizado pelo asfalto e nem pela quantidade de concreto em tantas construções, conseguia absorver o excedente das torrenciais chuvas.
O Tietê faz a
divisa entre a Penha e o município de Guarulhos. Os córregos Tiquatira,
Aricanduva, Rincão e Guiaúna contornam a colina em suas áreas mais baixas.
Direta ou indiretamente, as águas desses e de outros córregos têm como destino
o Tietê. Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, os indígenas habitavam as
terras que hoje se estendem desde a Penha até São Miguem Paulista. O nome dado
a esses territórios era de Campos de Ururaí.
Além dos rios que
circundam a Penha, inúmeras nascentes abasteciam as primeiras comunidades em
todos os seus recantos. As águas dessas nascentes sempre foram muito
abundantes. Com as derrubadas das matas e a impermeabilização do solo, essas
nascentes foram, pouco a pouco, deixando de promover o afloramento das águas
advindas das camadas mais profundas do sobsolo.
No subterrâneo
da Penha ainda existem algumas galerias pluviais de porte relativamente grande,
construídas na medida em que foram feitos os traçados das primeiras vias que
cortaram o bairro, nas principais direções de acessos a outros lugares. Quando
a necessidade de urbanização se tornou mais urgente, dado o rápido crescimento
demográfico da região, a preocupação de manter as condições de manutenção das
nascentes e de tornar os rios saudáveis em seus trajetos foi totalmente
relegada a segundo/terceiro plano.
Se, no passado,
os moradores da Penha tinham a consciência da importância das águas, com as
quais conviviam cotidianamente e delas faziam uso para inúmeros fins; hoje toda
essa familiaridade já não é percebida. O gigantismo da cidade mudou os
esquemas. Quando a água encanada chegou à Penha, a festa não foi maior por
causa da chuva intensa que veio atrapalhar o importante acontecimento.
O preço que está
sendo pago pelo progresso tem sido muito alto. Compensações são possíveis de
serem realizadas. Em propriedades particulares existem exemplos magníficos de
boas utilizações de engenharias e de arquiteturas capazes de proporcionar
maravilhas com as águas. O aprimoramento
da vida em sociedade não pode esquecer de que a saúde física e mental da
população tem, nas águas, uma demanda necessária para que todos possam usufruir
desse bem imprescindível.
Postado por José Morelli
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