quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Consciência


É a capacidade do ser humano de criar representações mentais a respeito de si mesmo, dos outros, do universo e das coisas todas, ultrapassando-as até... na compreensão de seus entendimentos. A consciência é uma capacidade humana. "Nada existe no intelecto sem que antes não tenha passado pelos sentidos". Isto quer dizer que todo conhecimento humano é adquirido via olhos, ouvidos, olfato, paladar, sensações tácteis. Não é a mente que se assemelha ao computador, mas é o computador que se assemelha à mente. Aliás, foi esta que teve e tem a inventividade de construí-lo e não ao contrário. A capacidade de o cérebro humano guardar, de memorizar é imensa. De forma consciente e mesmo de forma inconsciente. A memória humana tem a capacidade de armazenar informações captadas desde a fase de desenvolvimento do feto, ainda no seio materno.

Ter consciência de que tem conciência, de que esta se constitui como algo próprio, como uma capacidade a serviço do próprio existir. A caixa craniana a protege. Era preciso que fosse assim, para que esta parte tão sensível e nobre do ser humano pudesse se sentir bem guardada e protegida. A consciência costuma ser representada como um terceiro olho, localizado na testa e capaz de conseguir ver de uma altura mais elevada. A consciência tem força, energia, podendo influenciar tanto na construção da saúde como na desconstrução da doença.

É preciso saber utilizá-la. Saber sedimentar o que ela constata... refletindo, meditando. Consciência e corpo formam um todo, uma individualidade. A consciência pode e deve ajudar o corpo em suas necessidades, enquanto que o corpo fornece todos os elementos de que a consciência necessita para seu desenvolvimento e formação. Consciência e corpo precisam ser amigos e não inimigos. Devem contribuir com o melhor que possuem para chegarem à plenitude de suas capacidades. Devem se gostar, entendendo-se em suas importâncias, em suas valorações.

Consciência pessoal e consciência coletiva. Ambas interagem, podendo se ajudar ou se atrapalhar. Assim como o ar, puro ou poluído, serve a todos, da mesma forma, a consciência coletiva é compartilhada pelas consciências individuais. Os rumos a serem seguidos pelos indivíduos e pela sociedade dependem de suas consciências.

Por José Morelli

domingo, 29 de janeiro de 2012

Maturidade

O fruto nasce pequenino e, pouco a pouco, vai crescendo, atingindo o seu ponto de excelência, em tamanho e qualidade. Amadurecido, ele se encontra pronto para ser comido e apreciado em seu sabor, podendo servir ao desenvolvimento e manutenção da vida de homens e de animais. Quanto às suas sementes, estas poderão dar origem a novas plantas e novos frutos, completando-se, assim, o seu objetivo ou papel a cumprir, no contexto da natureza considerada em seu todo.

Frutos, animais e pessoas humanas amadurecem. O corpo físico dos seres humanos obedece a um processo de crescimento gradativo, que exige tempo e cuidados especiais, para que possa atingir seu estágio de plena maturidade. Além da maturidade física, os seres humanos necessitam de se desenvolver em outras capacidades, que fazem parte de sua natureza completa: maturidade mental/emocional; maturidade sócio-cultural/artístico-espiritual.

Olhando o mundo e as pessoas, é possível perceber semelhanças e diferenças. A natureza não é uniformizada, muito pelo contrário, apresentando uma variedade incrível de formas, que a tornam surpreendentemente bela e rica. Por sua maneira de ser, a natureza serve de exemplo e ensina. Maturidade é saber conviver com o igual, com o parecido e com o diferente. Trata-se de um difícil desafio, sem dúvida alguma. Um verdadeiro teste de força interior, de amplitude de entendimento da realidade, de capacidade de assimilação e de adaptação/encaixe. O autoritarismo tenta igualar, massificar, elegendo meios que não respeitam a integridade física e moral de muitos, principalmente, dos mais desprovidos de oportunidades. As leis reproduzem visões, valores, interesses gerais e corporativos. Muitas vezes, os caminhos tidos como mais fáceis de serem percorridos não são os melhores. "Quem tem pressa, come cru", diz o ditado popular. O imediatismo dispensa esforços que não poderiam nem deveriam ficar fora do processo de solução dos problemas. O crescimento desmedido da violência não deixa de ser o resultado de uma imaturidade dos indivíduos e da sociedade. Esta se encontra enredada. Uma como que rede envolve a todos, da qual não conseguem se desvencilhar. Meios para se chegar a lugares melhores existem. Combater a violência só com outra violência é um contracenso. Uma sociedade desenvolvida não pode deixar de se utilizar de meios construtivos, que ajudem na edificação de personalidades mais amadurecidas.

Por José Morelli

domingo, 5 de junho de 2011

“Nossa Casa”

Em sentido próprio, nossa casa, sem aspas portanto, é aquela em que moramos, acompanhados ou desacompanhados de parentes ou de outras pessoas. “Nossa casa”, voltando a usar aspas, pode também ser o nosso corpo, lugar onde mora nossa vida pessoal, individual e intransferível. “Nossa Casa” pode ser ainda o mundo, no qual vivemos e onde moram todas as vidas humanas e não-humanas, existentes neste nosso momento presente.

Três instâncias de um mesmo existir. Somos em nós mesmos, somos no que nos é mais próximo e somos no que influímos e somos influídos: o mundo em sua totalidade. Somos parte da vida do mundo, assim como o oxigênio que respiramos, o solo de que necessitamos para nos locomover e do qual tiramos suas incríveis produções, as águas dos rios, dos mares e dos oceanos.

Somos o que pensamos. De acordo com as idéias, construídas em nossas mentes, escolhemos os caminhos a seguir. Os pensamentos individuais são a base para os pensamentos coletivos. As atitudes refletem o que cada um pensa. As palavras comunicam as idéias e ajudam para a formação de consensos, concordâncias. De acordo com as respectivas etimologias, essas duas palavras significam harmonias: a primeira de mentes e a segunda de corações.

As pessoas se conscientizam. Adquirir consciência é desvendar verdades, segredos escondidos, a respeito de si, do outro, do ambiente, do mundo, do universo. Interesses imediatistas funcionam como ruídos que atrapalham na conscientização. Quanto maior o número de contribuições nos momentos de se buscar consensos, melhores serão os resultados.

A história é tudo o que aconteceu e está acontecendo. A história pode ser comparada a um imenso novelo de lã que vai se enrolando, na medida em que o tempo passa. Para entender melhor o processo histórico, é preciso tomar nas mãos alguma das pontas desse novelo e ir puxando. Há um encadeamento nos fatos. Acontecimentos e idéias se sucedem. Avanços e retrocessos também. A Napoleão Bonaparte é atribuída a frase que diz: “Por onde passa uma idéia, anos mais tarde passarão os canhões”. As idéias têm força revolucionária. Elas são o principal agente das transformações. Os problemas estimulam a mente. Devidamente instigada, a mente vai em busca das soluções. Soluções compartilhadas formam consensos. Consensos confrontados entre si garantem qualidade para as decisões nas horas em que se deve escolher os caminhos a seguir. 

José Morelli

domingo, 28 de novembro de 2010

Telhados

O lugar dos telhados é sobre as casas ou prédios. Os formatos e materiais com que são feitos podem variar muito. A finalidade de todos eles, no entanto, é de abrigar e proteger as pessoas da chuva, do sol ou do frio. Nos lugares em que cai muita neve, eles precisam ser mais pontiagudos, para facilitar o escoamento da neve, diminuindo o peso desta e o risco de desabamento. Existem telhados de uma água só, de duas águas, retos ou arredondados, com ou sem janelas, com ou sem chaminé, altos ou baixos, simples ou mais rebuscados... devendo ser adequados às características do clima, em cada lugar onde se encontram, servindo assim aos objetivos de sua construção.

Os telhados fazem parte da casa, juntamente com os alicerces, paredes, portas, janelas, escadas... As crianças, ao brincar de montá-las ou de desenhá-las, logo percebem a necessidade de que tenham um telhado, para que não lhes falte essa parte essencial, necessária à proteção de todos os que nela buscam abrigo e proteção.

Os telhados, considerados em relação às casas, em seu todo, preenchem um papel rico em significados, presente no consciente e no subconsciente das pessoas. Ao construí-las ou desenhá-las, as mentes podem idealizá-las de muitas maneiras. Enquanto assim o fazem, elas se constroem a si mesmas, transmitindo seus comandos para o corpo, a fim de concretizá-las de alguma forma. As mentes agem, enquanto recebem as influências do produto de sua ação, numa espécie de círculo vicioso.

À semelhança das casas e dos telhados, as pessoas também possuem uma estrutura mental/emocional, necessária à obtenção de seus objetivos. Suas mentes constroem idéias e sentimentos, que lhes podem garantir abrigo e proteção das dificuldades a que se encontram expostas e podem comprometer o sentido de sua integridade pessoal.

Muitos pintores famosos e não-famosos se inspiraram nos telhados das casas para fazerem seus quadros. Através da observação dessas obras, pode-se perceber como, em cada lugar, as pessoas constroem os telhados de suas casas, projetando-lhes o sentido de si mesmas e de suas necessidades e a maneira como entendem que podem se proteger.

José Morelli    

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meu filho não quer ir à escola... e agora?

A compra do material foi a maior curtição, quanta coisa para escolher: a capa do caderno, as canetinhas, a mochila... uma empolgação só. Porém, na hora H, a criança chora esperneia, se joga no chão e não há quem a faça entrar na escola.

Enquanto refletia sobre este assunto, lembrei-me de alguns acontecimentos que tive a oportunidade de presenciar: Num deles, uma amiga foi levar sua filha, em seu primeiro dia de aula. Ficou observando-a de longe. Quando a menina a viu, começou a chorar. No final, ficaram as duas em prantos uma na escola e a outra indo embora.

Em outra ocasião, presenciei a cena de uma criança que, ao chegar à escola, começou a chorar e a ranhetar, dando mostras de que não estava passando bem, impedindo-se assim de juntar-se aos seus novos coleguinhas.

Para se poder entender melhor as reações acima descritas, é necessário observar como são estabelecidas as relações entre os pais e a criança e destes com a escola. A maneira de se relacionar corresponde às idéias e fantasias que foram construídas nas cabeças de cada um. Se estas forem positivas, tenderão a favorecer, na hora de se transformarem em atitudes, se forem negativas, certamente, criarão dificuldades. De todas as relações a menos comum dos pais observarem é a de como eles preparam a criança para a escola através dos valores que possuem da mesma. Muitas vezes os pais apresentam a escola como um castigo ou simplesmente não se mostram interessados no desenvolvimento educacional da criança, não assumindo responsabilidade. Por meio de palavras e expressões a criança capta a importância que os pais dão ao ambiente escolar, se se comprometem com ele ou se esperam isso apenas dela.

É comum aos pais sentirem-se culpados de colocar a criança ainda tão nova numa escola, bem como de precisarem se sentir indispensáveis no cuidado do filho, desejando inconscientemente que este dê demonstração aos outros que seus pais são as únicas pessoas que sabem cuidar dele. Esta é a hipótese de explicação quanto à atitude tomada pela mãe, no primeiro caso relatado. Mães reconhecem pela maneira como a criança chora, a necessidade que ela tem. Uma sintonia que desenvolvem, desde o período da gestação, uma espécie de simbiose. Daí a sensação de que ninguém melhor do que ela consegue cuidar de seu filho.

Outro aspecto a ser considerado é as fantasias que a criança cria de sua ida à escola, tais como: o medo de serem abandonadas, de sentirem-se como um peso para os pais que teriam maior tranqüilidade no momento em que ela estivesse fora e o medo de enfrentar o novo. A escola é o primeiro local em que a criança se percebe longe dos pais e familiares, como também é onde esta passa a ser classificada, através de critérios de diferenciação, de inclusão ou de exclusão, o que mobiliza fortes sentimentos, que podem explicar a reação da criança no segundo caso relatado.

Aqui vão relacionados alguns alertas, que podem ajudar aos pais a minimizarem este problema:
·        Preocuparem-se de se referirem à escola como algo agradável, um lugar onde se aprende a ler e a escrever, além de se fazer bons amigos e com eles poder brincar.
·        Quando a criança é muito ligada à mãe, é recomendável que esta fique por perto nos primeiros dias, deixando algum objeto que possa garantir sua volta, evitando sair escondido, uma vez que isso aumenta a insegurança e a desconfiança.
·        Passear com a criança para conhecer o espaço físico da escola. A presença de um amiguinho já conhecido facilita a ambientação.
·        Para crianças mais velhas, o comprometimento dos pais, ajudando-as nas lições de casa, nas idas às reuniões, no interesse quanto às diretrizes da escola, funciona como estímulo para que estas se dêem bem no ambiente escolar e consigam se desenvolver nele.

Luciana Zampar Morelli Delgado

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

E Hoje?

Sabe o que me deixa louca com as novelas? Nunca aparece um casal em que ambos trabalham, chegam em casa, dividem as tarefas e são felizes, para ser sincera não aparece nem os que são infelizes, simplesmente é ignorado o fato de casais que trabalham e não tem dinheiro para a empregada e a babá.

Não é novidade para ninguém que os meios de comunicação criam tendências, estimulam comportamentos, mas por que não fazer isso com eficiência?

A roupa de tal, o carro do outro, o cabelo da beltrana, a família da cicrana.

O século XIX foi o ápice da histeria, a repressão sexual, a vida da mulher era para facilitar a dos homens, não precisavam querer entender de política ou outros assuntos similares, caso aprendessem a ler, leriam romances, se fosse para aprender algo além dos trabalhos domésticos que aprendessem a tocar piano para seus maridos. Deveriam ser boas donas de casa e mães, não precisavam ter prazer no sexo, apenas satisfazer seu esposo.

Já no século XX, que alivio as coisas já estavam melhores, mas só um pouquinho. Com as guerras as mulheres precisaram sair para trabalhar, gostaram de ganhar dinheiro e não somente de ganhar mas de gastar também.

Outros que gostaram dessa conseqüência foram às indústrias que viram no publico feminino um grande potencial de consumo.

Quando seus maridos voltaram da guerra e assumiram seus cargos a mulher já desejava mais e para atingir tal objetivo foram procurar emprego convencendo seu marido de que tal atitude não atrapalharia em seus afazeres domésticos e garantindo ao contratante que suas tarefas profissionais não seriam prejudicadas por possuir uma família. Durante muitos anos isso aconteceu, mulheres esgotadas tentando administrar “suas responsabilidades.”  

Queimamos sutiã, tivemos direito ao voto, mas ainda não aprendemos a educar nossos filhos de maneira igualitária. Bom, talvez igualitária até ensinamos, criamos pessoas que assumem cada vez menos as responsabilidades familiares, além das traições, não sabemos lidar com a divisão de tarefas e com o cuidado com os filhos.

As mães de ontem, criaram seus filhos com muito mais liberdade, mas a disciplina ficou um pouco a desejar, queremos do melhor, só que com menos esforço.

As mulheres não precisam mais de homens que as sustentem e os querem hoje mais participativos e companheiros. Pobres homens não aprenderam a ter algumas malícias domesticas e é aí que começa a crise, como não saber que as roupas são separadas por cores e não se joga cândida em tudo, e qual é o produto que se limpa cozinha, banheiro e as demais partes da casa, que louça suja com óleo tem que lavar e enxaguar mais de uma vez. Isso nunca foi importante, melhor fazer rápido para acabar rápido.

O pior é que no meio da crise da adaptação de um casal existe um novo sabotador social: a HORA EXTRA.

Independente de se receber pela hora extra existe hoje  um clima onde parece que estamos devendo quando saímos na hora exata de nossos empregos, já não precisa mais o chefe olhar feio, os colegas agora também olham, todos se acostumaram a ficar mais um pouco.

Tanta tecnologia e estamos cada vez mais escravos do trabalho, e às vezes isso até serve de alivio, afinal enquanto estamos passando por um processo de adaptação familiar uma dedicação extra no trabalho é vista com bons olhos e não como fuga, pena que algumas vezes estamos mesmo é tentando fugir, a valorização capitalista tem seus benefícios, porém estamos nos distanciando da tolerância para um vinculo maior afetivo e acho que vale a pena pensar nisso.

Luciana Zampar Morelli Delgado