sábado, 14 de outubro de 2023

Paralelismos

 Para facilitar a identificação das localizações, no globo terrestre, este é subdividido por linhas imaginárias, no sentido horizontal e vertical. No primeiro destes sentidos, estão a linha do Equador, que divide o globo ao meio, separando os dois hemisférios: Norte e Sul, bem como os trópicos ou paralelos: de Câncer e de Capricórnio, o primeiro acima da linha do Equador e o segundo abaixo da mesma. No sentido vertical estão os chamados meridianos. De acordo com as posições dos trópicos, são identificadas, em seus respectivos períodos, as quatro estações do ano, em cada lugar. Já os meridianos identificam as horas do dia e da noite, a cada volta que a Terra dá, ao redor de si mesma.

Na medida em que os lugares estão mais ou menos próximos das regiões polares, o frio é mais ou menos intenso. Na medida em que os lugares estão mais ou menos próximos da linha do Equador, o calor também se torna mais ou menos intenso. As estações se manifestam de maneiras diferentes, dependendo da localização em que se encontra cada região. No Canadá, a passagem do inverno para a primavera, muda a paisagem radicalmente, o branco das geleiras dá lugar ao verde das folhas e ao colorido das flores. No Brasil, essas transformações ocorrem de maneira menos drástica, uma vez que as temperaturas, aqui, oscilam em graus mais amenos, nem tão frios nem tão quentes.

Ruas paralelas são ruas que, justapostas, seguem numa mesma direção. Fazer um paralelo ou paralelismo é o mesmo que fazer uma comparação. Os fatos que acontecem no mundo em níveis amplos, tendem a acontecer, em outros níveis, de maneira mais ou menos semelhante. O que acontece nos relacionamentos entre os hemisférios, tende a acontecer nas relações intercontinentais, entre países de um mesmo continente, entre estados de um mesmo país, entre bairros de um mesmo município, entre ruas de um mesmo bairro, entre famílias de uma mesma rua, entre pessoas de uma mesma família, entre partes do corpo de uma mesma pessoa.

Os ataques terroristas nos Estados Unidos e a guerra que vem acontecendo no Afeganistão provocam paralelismos em todos os níveis. Espécies de ressonâncias, semelhantes às provocadas pelas ondas sonoras e que nos atingem sensivelmente, em nossas mentes e em nossos corpos. Em certo sentido, não deixamos de ser solidários peas alegrias e pelas tristezas que o mundo vive em sua história.

Postado por José Morelli

Paralelismos entre natureza e tempo

                                       Desde o instante em que fomos gerados no seio materno,

passamos a conviver com a natureza maior que a nós era pré-existente.

Fomos contemplados como pedras do bingo, que completa uma cinqüina.

O tempo se desenrola como um novelo e nos introduz na sucessão de dias e de noites,

Constituindo-nos como passado e presente.

A temporalidade nos estimula e assusta ao mesmo tempo.

Natureza é palavra de gênero feminino.

Tempo á palavra de gênero masculino.

Para transformar-se e gerar novas formas de vida, a natureza precisa do concurso do tempo.

 

Pela maternidade, a mulher experimenta-se como mãe e como filha, (mais uma vez).

Percebe-se investida com um poder que antes só via em sua mãe.

A natureza é mãe permanentemente.

Tempo é sempre fugaz e passageiro, escapando-se pelos vãos dos dedos.

Uma flecha lançada ao ar que ninguém consegue detê-la em seu curso.

O tempo é pai, movimento, energia.

Sem ele, a natureza permanece inerte, não tendo como se modificar

 Natureza e tempo caminham para o imprevisível.

Compartilham entre si ansiedades e angústias.

Homem e mulher compartilham a sabedoria da transitoriedade, da temporalidade, da finitude e da infinitude.

Aprende a usufruir da vida enquanto ela acontece

A vida vai e se esvai inexoravelmente.

A consciência humana busca sentido para tudo com que a vida se defronta.

Conforta-se com a sensação de permanência e de descanso,

Um lago tranqüilo margeado por relva verdejante.

 

Homem e mulher – pai e mãe – natureza e tempo.

Poder e submissão

(poder submisso e submissão poderosa: alternâncias de ilusões)

 Natureza e tempo na sucessão: filhos e filhas

A arte de transmitir e de fomentar a vida.

Pai e mãe unidos pelos mesmos objetivos.

O cultivo da sensibilidade para consigo e para com o outro.

A superação do egoísmo.

O legado de cada dois... a posteridade.

A semente remanescente do fruto...

Semente natureza, que se transforma e dá origem a novas vidas.

O jogo do poder nas identificações e nas diferenciações. 

Postado por José Morelli

 

Para além das controvérsias

 Existe um chão batido sobre o qual as pessoas não podem deixar de caminhar, sob pena de perderem o que julgam indispensável ao próprio viver e ao viver das gerações futuras. O instinto de sobrevivência é uma dessas energias que funcionam automática e imperiosamente, a partir de dentro para fora de cada indivíduo. Dizem que o cavalo, com toda a sua destreza e pose, não consegue passar em uma pinguela e que o burrinho, sempre tão menosprezado em sua capacidade, quando instigado a transpor alguma, simplesmente fecha os olhos e vai de um lado para o outro, não se atendo a possíveis controvérsias.

Considerando a sociedade em seu todo, nota-se que as pessoas não são iguais em suas maneiras de ser e de agir. As respostas de cada uma às demandas naturais são formuladas das mais variadas maneiras. Uns apostam na capacidade crítica dos cidadãos, enquanto que outros consideram que o desenvolvimento do conhecimento e da crítica é perigoso para uma boa organização econômico-social, principalmente.

Viver e conviver são dois importantes imperativos: duas grandes sabedorias humanas. Desde pequeninas, as crianças se voltam para onde se encontram o amparo e o alimento. Essa mesma lei também acompanha a trajetória de vida das pessoas adultas, da maturidade à velhice.

Alguns acham que são as elites que dão as cartas para o jogo da vida e que as massas são apenas usadas como meios de manobras. Sabe-se também que as elites se digladiam entre si no sentido de exercer domínio sobre as massas. Os discursos utilizados apresentam os mais diferentes argumentos.

A humanidade já passou por muitas experiências históricas. A sabedoria armazenada não se perde totalmente. Fica guardada no subconsciente coletivo das diversas culturas existentes. Cada geração deixa as marcas de suas descobertas. A geração atual também está deixando suas marcas. As consequências das escolhas feitas já podem ser percebidas a partir dos resultados que estão sendo produzidos. Os rumos precisam ser sempre reavaliados. Não há o que estranhar, uma vez que se trata de uma tarefa que precisa ser realizada com muita garra e sem interrupção, deixando de lado quaisquer controvérsias.

Postado por José Morelli

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Generalizar

 Generalizar é uma tendência mais ou menos frequente, que pode ser fruto de uma preguiça mental, de um comodismo ou “lei do menor esforço”, às vezes, até mesmo de uma maldade menos consciente. É comum ouvir-se afirmações baseadas em generalizações. Cada pessoa tem sua identidade própria, não merecendo atribuições, só pelo fato de ser desta ou daquela região do país ou por ser desta ou daquela cor ou raça.

Acontece, também, de pessoas que apresentam algum defeito físico serem vistas e tratadas de forma a terem generalizadas essa sua condição de deficiência. Tratam-nas como se sua incapacidade fosse generalizada, vendo-as com mais deficiências do que efetivamente possuem. A cegueira do cego o impede apenas de ver e não de manter-se de pé. É por isso que, algumas vezes, o cego, educadamente, agradece a pessoa que lhe cede o lugar para assentar-se no ônibus. Na verdade, o cego é só cego e não aleijado.

Generalizar é uma maneira simplista de ler e interpretar a realidade. Baseando-se em apenas um ou em alguns motivos, tira-se a conclusão sobre o todo, reduzindo-o e empobrecendo-o em sua compreensão e entendimento.

O filme “Um Estranho no Ninho”, do diretor Milos Forman, mostra bem as consequências desse entendimento limitado, no tratamento dos doentes mentais, confinados em manicômios.

Tratando o doente mental, reduzido no seu entendimento a um único aspecto de sua realidade e desconhecendo sua condição humana plena, como pessoa que é, dotada de capacidades e múltiplas necessidades, o filme mostra os equivocos de certos tratamentos em ambientes fechados e restritos.

Generalizando as condições dos doentes, “Um Estranho no Ninho” mostra a prática de uma rotina que nivela a todos, não reconhecendo as necessidades individuais. Em nome do bem comum, são praticadas pequenas e grandes violências, talvez um retrato ampliado de situações com as quais convivemos muito frequentemente em nossos dia-a-dia “normais”.

Postado por José Morelli

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Para pensar e sentir

 Uma realidade próxima de cada um de nós é o corpo em que nos constituímos. Com ele, espírito forma uma unidade indissociável. Sentir a integração entre mente e corpo, numa harmonia possível, corresponde à realidade da vida humana terrena. Os significados que atribuímos ao nosso corpo, pelo que ele é para nós, no seu todo e em suas partes, devem ser positivos, colocando-nos para cima, energizando-nos e animando-nos.

O sentido de “eu”: (meu/nosso) é atribuído a cada membro de nosso corpo. Olhemos para nossas mãos, sintamos como nelas nos encontramos e nos reconhecemos. Concentremo-nos tranquilamente, com o nosso pensamento, e procuremos perceber a sintonia que elas possuem com o nosso ser total: corporal e mental. Como devem ser nossos pensamentos e sentimentos para que associem nossas mãos a ideias positivas e não só estranhas aos nossos entendimentos.

De nossas mãos, passemos a atentar para outras partes que constituem nosso corpo: braços; pernas; barriga; peito/pulmões/coração; pés; ombros; cabeça; costas; pescoço; boca/olhos/nariz/orelhas; genitais; etc...

Quanto mais coragem tivermos para reconhecer-nos em nossas consonâncias e dissonâncias entre nosso “eu” e as formas e funcionamentos de cada uma de nossas partes, melhor será a integração conosco mesmo. É o “eu” que estabelece o sentido da união entre as partes e o todo. Somos esse conjunto existencial. As ações de todas e de cada de nossas partes são atribuíveis ao nosso “eu” inteiro. É através de nosso corpo que nos relacionamos com os corpos e almas dos outros.

É pela consciência que nos dimensionamos na integridade de nosso ser corporal e espiritual. Possuímo-nos, integramo-nos em nossa identidade/personalidade, permitindo-nos assim que estabeleçamos trocas, dando-nos de nós mesmos aos outros e recebendo dos outros aquilo que deles ou delas podemos agregar em nós - sem nos confundir-nos. Distinguindo-nos pelo que efetivamente somos e temos e pelo que os outros, efetivamente têm e são.

Postado por José Morelli 

"Para quem vier!"

 As pessoas costumam dizer que “a festa é para quem vier!”- No caso presente, não se tratava exatamente de uma festa, mas sim de uma palestra realizada no último domingo, dia 17 de setembro, às 15h00, como fora divulgado através deste jornal: “Palestra sobre AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) - a ser proferida pelo Dr. Marcelo Serpieri, doutor em medicina pela USP.

O palestrante mostrou com clareza que, até o momento, a maneira mais eficaz de combater a AIDS é a informação. Por isso, sua palestra consistiu de informações e explicações de todos aqueles dados que, desde 1982, vinham sendo coletados pelos cientistas e pesquisadores do mundo todo.

Embora se tratasse de um assunto complexo, a exposição foi feita de maneira acessível para que, tanto os adultos como os adolescentes e jovens presentes, pudessem acompanhar e entender.

Saber e reconhecer onde e como se encontram os perigos de contaminação e como evita-los ou contorna-los gera segurança. A ignorância, o medo e a insegurança não ajudam. Os números estatísticos mostram que a AIDS é um flagelo deste nosso tempo, assim como outros, que assolaram o mundo em épocas passadas: a febre amarela; a varíola; a gripe espanhola.

Resumidamente, a palestra permitiu aos participantes conhecerem melhor sobre: a natureza da doença; o vírus transmissor – o HIV ; os grupos de risco; os testes para diagnóstico; as fases de evolução da doença; o tempo para manifestação da síndrome; as infecções oportunistas; os riscos de contágio; os meios de preveni-los.

Houve oportunidade para perguntas. Através destas, o tema ficou mais adaptado aos participantes. Aspectos do interesse deles surgiram e puderam ser discutidos e aprofundados. Sem desconhecer o caráter realístico duro do assunto, a opinião geral foi de terem gostado da forma como se deu a palestra. Foi um ato de coragem olhar e encarar o tema, que tanta influência traz para os relacionamentos interpessoais.

O surgimento da AIDS não deve impedir os relacionamentos íntimos entre as pessoas, fazendo com que passem a ser vistos como ameaças de morte iminente. Os valores positivos e construtivos – a “festa” de as pessoas se proporcionarem prazer, sem culpa, deve prevalecer  em nossos pensamentos e sentimentos.  (Ano de 1986).

Postado por José Morelli

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Nossa Senhora da Penha de França: expressividade da Fé

 Diferentemente das localidades em que se encontram igrejas de Nossa Senhora da Penha, seja no Rio de Janeiro seja na cidade de Vitória, no Espírito Santo, cujas topografias se caracterizam como cumes de montanhas, a da cidade de São Paulo se encontra a meia encosta da colina, como costumava dizer o eminente historiador penhense, de saudosa memória, Dr. Sylvio Bomtempi. A fim de deixar um registro, de próprio punho, sobre a Penha dos primeiros anos do século passado, o Padre António Benedito de Camargo, vigário da paróquia por longos 55 anos, consignou no Livro do Tombo, em 25 de agosto de 1905, o seguinte:

“edificada sobre um alto, num descampado inteiramente plano, onde sopram todos os ventos, que fazem trazer a população isente de moléstias. É esta procurada continuamente por convalescentes, espécie de sanatório onde têm eles saído sãos, robustos, cheios de vida. É raro, por isso, aparecer entre os habitantes daqui moléstias de caráter grave”.

Dada a posição em que se encontrava e se encontra o Santuário Eucarístico de Nossa Senhora da Penha, voltado para o centro da cidade,  o arcebispo de São Paulo, à época, Dom Duarte Leopoldo e Silva, insistia junto aos padres redentoristas de que o lugar onde seria construído o novo santuário (hoje basílica) deveria permitir que o mesmo fosse visível à cidade e que, deste, a cidade pudesse ser vista e protegida pelo olhar atento de Nossa Senhora. 

Para melhor aquilatar o tipo de experiência dos que vinham para as antigas festas da Penha, vale recordar a descrição da festa em 1918, contada no romance “Menino Felipe – Primeira Viagem”, de Afonso Schmidt:

“Os trens partiam superlotados da Estação Norte. Pela estrada de rodagem da Penha, formavam-se cortejos de carroças cobertas de ramos verdes, enfeitadas de bandeirolas de papel de seda. Quando chegavam à subida do santuário, os romeiros deixavam os veículos à porta das vendas (próximo à passagem do Aricanduva), botavam um feixe de capim diante dos burros e galgavam a ladeira, à pé, conduzindo grossas velas de cera... A estação encontrava-se a meio quilometro de distância, num corte praticado na colina, à chegada de cada trem, era uma algazarra. Roceiros vendiam canas, batata doce assada, cuias de garapa e tigelinhas de quentão. Depois, os grupos se punham a caminho da igreja. Ouviam-se queixas de violão, risadas finas de bandolins. Os romeiros caminhavam devagar, colhendo flores dos arbustos que pendiam dos barrancos. Havia gente que parava para contar caso. Ou para tirar o calçado, que lhe espremia os pés. Quando chegamos ao largo da igreja foi um deslumbramento”...

 Tais experiências, relacionadas aos lugares altos, aparecem inúmeras vezes tanto no Antigo como no Novo Testamento da Bíblia de maneira sempre muito significativa. Já no primeiro livro, capítulo 8º do Gênesis, referindo-se à história de Noé e de sua arca, o autor sagrado escreve o seguinte:

“E no sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, a arca pousou sobre as montanhas de Ararat. As águas continuaram a baixar até o décimo mês e, no primeiro dia do décimo mês apareceram os cumes dos montes”. (Gen. 8:4-5)

Nesse mesmo livro encontra-se o relato sobre a Torre de Babel, no qual conta que Javé confundiu as línguas dos que a construíam, a fim de não chegarem a concretizar o ambicioso intento. Em resposta, Javé desce e aplica um castigo àquele povo, a fim de que este entendesse que não deveria fechar-se em si mesmo; mas manter-se aberto a outros povos:

 “Vamos construir uma torre cujo cimo atinja os céus! Tornemo-nos famosos e não nos dispersemos pela terra toda... (em resposta, Javé diz) Eia, pois! Desçamos lá mesmo e confundamos-lhes a língua, para que ninguém mais compreenda a fala do outro!“ (Gen. 11: 4 e 7). Babel significa confusão.

Outra passagem atribuída ao patriarca Abraão, mostra como Deus jogou duro com ele. Tendo-lhe prometido que teria uma descendência maior do que as areias do mar, pede-lhe que ofereça em sacrifício seu filho único. Com o intuito de prova-lo, Deus o chama:

“Abraão! Abraão!”. “Eis-me aqui, respondeu-lhe. E Deus continuou: “Toma teu filho, teu único filho, que tanto amas, Isaac, e vai à região de Moriá e lá oferecê-lo-ás em holocausto sobre um dos montes que te indicarei” (Gen. 22:1-2)

Abraão fez tudo como lhe foi pedido; porém, quando estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar o filho, o Anjo do Senhor lhe apareceu e disse:

“Não levantes tua mão contra o menino e não faças mal algum! Agora sei que verdadeiramente temes a Deus, pois não me recusaste teu filho, teu filho único” (Gen. 22: 12)

No livro do Êxodo, Moisés vive a experiência de encontro com Deus desta vez no alto do monte Horeb:

“Moisés apascentava as ovelhas de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Tendo conduzido o rebanho para o outro lado do deserto, chegou à montanha de Deus, o Horeb... Então, no meio da sarça, Deus o chamou: “Moisés! Moisés!” E ele respondeu:  “Aqui estou!” Não te aproximes daqui. Tira as tuas sandálias, porque o lugar em que estás é uma terra santa” (Êxodo 3: 4e5).

Foi ainda nesse mesmo lugar que Deus revelou a Moisés qual o seu nome:

“Mas se eles perguntarem o seu nome? Que é que vou responder-lhes?”. Deus disse a Moisés: “Eu Sou Aquele que Sou” (Javé).  (Êxodo 3:13-14)

Em outro momento, no monte Sinai, Deus entregou a Moisés as duas tábuas da lei, na qual haviam sido gravados os dez mandamentos:

“Moisés subiu para ir ter com Deus. Do alto da montanha, Javé o chamou dizendo: “Assim falarás à casa de Jacó: ... E agora se ouvirdes com atenção a minha voz, e observardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade exclusiva, escolhida dentre todos os povos; pois toda a terra é minha. E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxodo 19: 3-4e5).

Tendo sido informada, pelo Anjo, que sua prima Isabel se encontrava no sexto mês de gravidez, Maria apressou-se para ir ao seu encontro. O evangelista São Lucas assim escreve:

“Maria se dirigiu a toda pressa para a região montanhosa, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seio dela e ficou cheia do Espírito Santo. Então, exclamou em voz alta: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu seio! De onde me vem a felicidade de que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”  (Lucas 1: 39 a 43).

No sentido de preparar seus discípulos, para os acontecimentos que iriam se abater sobre Jesus, sua paixão e morte de cruz, Ele transfigurou-se diante deles no alto do monte Tabor. Assim descreve o evangelista Mateus como isto aconteceu:

“Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte sobre um alto monte. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz. Então lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com ele. Pedro interveio, dizendo a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os envolveu, enquanto dela saía uma voz que dizia: “Este é meu Filho bem amado no qual encontro toda minha satisfação. Ouvi-o”. (Mateus 17: 1-5)

Da mesma forma como Moisés recebeu, no monte Sinai, as tábuas da lei gravadas com os dez mandamentos, Jesus também sobe a um monte, para dali promulgar as bem-aventuranças, que se constituem como aprimoramento da lei mosaica:

“Jesus subiu ao monte. Quando sentou, seus discípulos chegaram para perto dele. Tomou a palavra e ensinava-os assim: “Felizes os pobres em espírito, porque a eles pertence o reino dos céus. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os mansos e humildes, porque herdarão a terra da promessa. Felizes os famintos e sedentos da justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os promotores da paz. Porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o reino dos céus...” (Mateus 5:1-11).

Condenado à morte de cruz, Jesus levou-a sobre os ombros até o monte Calvário. Do alto de sua cruz, Ele nos deixou como herança Maria, sua própria Mãe:

“Perto da cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena. E Jesus, vendo sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho!” Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe!” E desde aquela hora o discípulo a recebeu aos seus cuidados”. (João 19: 25-27).

De maneira semelhante à experiência de fé, vivenciada pelos romeiros que subiam a ladeira da Penha, rumo ao antigo santuário, caminhando “devagar, colhendo flores dos arbustos que pendiam dos barrancos”, como foi descrito acima no livro de Afonso Schmidt; nos dias atuais, também, experiência parecida pode ser vivenciada pelos componentes dos grupos que vêm participar das visitas monitoradas à Penha. Ao subirem as escadas que levam ao alto da torre da Basílica, outros tipos de flores podem ir colhendo dos arbustos, até chegarem ao amplo terraço, localizado no mesmo andar onde se encontram os cinco sinos que compõem o carrilhão. Desse lugar visualizam a cidade se descortinando, no horizonte: “um deslumbramento”.

Postado por José Morelli