sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Interpretar

 O músico interpreta a partitura. O médico interpreta o resultado dos exames. O aluno interpreta o texto do livro que caiu na prova. O meteorologista interpreta os mapas meteorológicos exibidos na tela do computador. Toda interpretação deve levar a entendimentos mais aprofundados de informações e de fatos. Quanto mais referências o interprete tiver à sua disposição, a fim de poder utilizá-las em suas análises melhor será o resultado de seu trabalho interpretativo.

Nossa mente interpreta constantemente. A necessidade de interpretar decorre da urgência com que, muitas vezes, temos que corresponder a situações concretas do nosso dia a dia. A experiência acumulada, através das vivências do passado, serve como instrumental disponível nos arquivos de nossa memória.  Não é legal desprezar (negligenciar) informações que ficam como que acendendo e apagando no intuito de alertar-nos quanto à existência de algum problema ou de alguma solução talvez.

Nossa vida pessoal e comunitária é dinâmica. Ela é feita pela sucessão dos momentos que vivemos. As oportunidades que surgem podem não se repetir. Das decisões do presente dependem os rumos a serem seguidos no porvir. Temos um compromisso com a nossa própria vida e com a vida que acontece em nosso entorno. Não podemos ou não devemos abdicar de nossa própria consciência, deixando de consultar nossa mente e nosso coração, toda vez que precisamos escolher entre alternativas.

Razão e emoção são partes de nosso ser existencial. Temos nossa vida inteira para equipá-las de bons instrumentos que nos ajudem a discernir quanto ao que consideramos bom e ao que consideramos mal: certo ou errado. De nossa interação com o meio em que vivemos coletamos elementos que nos constroem como gente consciente e responsável. De tudo o que se nos apresenta, vamos fazendo a prova dos nove, interpretando a realidade, separando o que não nos interessa daquilo que nos interessa.

No próximo domingo, dia 5 de outubro, teremos a oportunidade de manifesta-nos, no que trazemos de melhor em nós, a fim de escolhermos bem àqueles que irão nos representar na presidência da república de nosso país, no governo de nosso estado, no senado e nas câmaras federal e estadual. Bom voto! (matéria escrita e publicada com isenção, apenas no esforço de chamar a atenção para assinalar a ética necessária no ato de votar).

Postado por José Morelli

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Ícones que sinalizam

 Os ícones se constituem como códigos de comunicação. Como tais, facilitam nossas leituras dos acontecimentos, permitindo que decodifiquemos mensagens, entendendo-as em seus significados e vivenciando-as na intensidade de nossas emoções, a favor ou contra. À semelhança da rosa dos ventos que é uma imagem em forma de estrela, desenhada nas bússolas para indicar os pontos cardeais e utilizada, também, em mapas náuticos para guiar os navios em alto mar, os ícones sinalizam as múltiplas direções e metas, possíveis de serem seguidas e atingidas.

Os nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato são estimulados pela imensidade de  ícones existentes. Neste período especial do ano, em que nos aproximamos de seu término, somos bombardeados por uma inumerável quantidade de ícones que nos reportam para significativas celebrações: a festividade do Natal e a passagem para um Novo Ano. Eventos que são fortemente utilizados para fazer girar a roda da economia, interna e externa. São esses ícones: árvores decoradas - de vários materiais e tamanhos - iluminadas com piscas multicores; figuras de papais-noéis; imagens do menino Jesus, de Maria e de José; dos reis magos;  estrelas  e presépios; guirlandas de mesas e de portas; letras e músicas típicas; panetones, castanhas, tâmaras, frutas secas e outras iguarias, advindas da tradição de outras nações e de outros povos; ícones evocativos de presentes como caixas e laços caprichados e mil outros que assinalam o objetivo comercial dos eventos.

As sinalizações, transmitidas pelos ícones das festas natalinas, nem sempre encontram ressonâncias nas mentes e corações de todos. Há aqueles que se encontram envolvidos por sentimentos contrários aos das festas. A intensidade com que são feitos os apelos festivos podem até causar mal estar e desconforto a esses que estão vivendo momentos pessoais de internalização e de contenção.  Por mais fortes que sejam o apelos que os ícones exercem, ainda assim, os momentos existenciais e emocionas de algumas pessoas não permitem que possam se sentir na mesma sintonia que sinalizam suas mensagens.

Postado por José Morelli

Está no DNA do penhense

 Neste final de semana, 17 e 18 de junho, as festividades do Rosário irão atingir seus momentos mais fortes e expressivos. Estará sendo comemorado o aniversário de 215 anos do reconhecimento oficial da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, patrimônio histórico tombado, construído na taipa pela antiga irmandade dos homens pretos da Penha de França, instituição que reunia escravizados e libertos alforriados já no ano de 1755.

A presença no DNA do penhense de uma índole festiva remonta a períodos em que a cidade de São Paulo participava das antigas festas à padroeira do município que, aclamada popularmente sob o título de Nossa Senhora da Penha, ocupava um espaço muito especial na fé e confiança do coração de muitos, principalmente nos momentos em que a ocorrência de epidemias e de secas prolongadas ameaçava a saúde da população, bem como dizimava plantações e criações, indispensáveis à sobrevivência das famílias e do povo em geral.

Nas festividades que lhe eram preparadas anualmente pela comunidade, a população da cidade era acolhida no bairro, sendo-lhe oferecido o melhor daquilo tudo que sabia fazer desde a decoração das ruas centrais, como dos adornos dos carros andores que eram levados às procissões, além de uma infraestrutura tanto de alimentação como de lazer, através de jogos para distração e da boa música, àqueles que dispunham de mais tempo para aqui permanecerem.  À festa de Nossa Senhora seguia-se a Festa do Divino Espírito Santo, uma estratégia para manter a presença dos visitantes por mais tempo, o que dava mais vida e movimento ao pacato bairro paulistano, segundo relato de antigos historiadores.

Os responsáveis pela organização da 16ª. Edição da Festa do Rosário - 2017, no intuito de manter acesa a chama da herança festiva contida no próprio DNA do penhense, se esmeraram por manter à altura das melhores tradições o nível de toda infraestrutura necessária, a fim de que todas as manifestações aconteçam com o maior brilhantismo e expressividade, servindo como alento e esperança de dias melhores a todos e a todas que dela vierem participar.

Postado por José Morelli

Elemento água

 Com o calor, nestes primeiros dias do ano, não há como não atentarmos para a importância da água: bebemos mais desse precioso líquido neste tempo, suamos com mais intensidade, aumentamos o número de banhos, sejam eles em chuveiros, cachoeiras, praias ou piscinas.

Se, no ano passado, a diminuição de água, nos reservatórios, forçou-nos a conscientizar-nos da importância do uso racional da água, neste começo de ano de 2016, forçosamente, passamos a olhar e sentir a esse elemento com outros olhos e com outros sentimentos. Nosso modo de conceitua-la e de senti-la foi e vem se modificando, levando-nos a não desperdiça-la e otimizando seu uso. 

Alguns acontecimentos recentes vieram nos alertar ainda mais. Um deles foi o ocorrido com o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. De um momento para outro, o Rio Doce transformou-se num mar de lama, ocasionando mortes e destruição. Em sua extensão, a água do rio foi contaminada com grande quantidade de resíduos tóxicos.  

Outro fato que tem ocupado espaço nas notícias é o referente à proliferação da dengue. O problema que já era grave tornou-se ainda maior em função do zika vírus que também é transmitido pelo mesmo mosquito, o Aedis Aegyptus, cuja reprodução se dá em águas paradas.

Enquanto o Sul do país vem convivendo com cheias provocadas pelo excesso de chuvas, algumas regiões do Nordeste sofrem com secas que perduram a mais de dois anos. Esperamos que o Sudeste volte a ter um padrão mais normal de incidência de chuvas, a fim de que não nos falte água para geração de energia e para o nosso consumo e dos demais seres vivos.

A junção do que pensamos com o que sentimos forma uma síntese. Nossas atitudes são determinadas pelas concepções que geramos em nossas sensibilidades. Conscientizando-nos, procurando cada vez mais informações a respeito da realidade que nos envolve, passamos a nos posicionar de forma mais adequada às nossas necessidades vitais.

Postado por José Morelli

 

 

"Berço esplendido"

 Quem não traz na lembrança, dos tempos de escola, o nome de Antônio Manuel da Costa, autor da letra do hino nacional?... Em sua inspiração poética, o território brasileiro se constitui como um berço esplêndido, no qual nosso solo pátrio permanece eternamente deitado, isto é: material e geograficamente identificado com incomensuráveis riquezas naturais. A figura de linguagem, por ele utilizada, é clara e verdadeira: nosso território, imenso em suas dimensões, abriga inesgotáveis riquezas: em seu solo e subsolo; em seus rios e mares; em sua fauna e flora; sem contar a diversidade étnica e cultural de nosso povo.

Através dos acontecimentos do dia a dia, novas e novas lições a vida sempre nos vai proporcionando. Para quem tem olhos e ouvidos atentos, essas lições ajudam nas escolhas dos caminhos a percorrer. Não basta a existência dos bens e das riquezas em nosso solo pátrio. O que importa mesmo é a maneira como esses bens e riquezas se revertem em benefício das pessoas: brasileiros e brasileiras do presente e do futuro.

A utilização do solo para a agricultura e para o agronegócio, bem como para extração de minérios pode representar excelentes negócios para o país e para os empresários. No entanto, uma exploração indiscriminada do solo pode render um custo adicional de deterioração ambiental, que outros países preferem não querer pagá-lo em seus próprios territórios. Ainda no último dia 17, a Itália convocou àqueles que, em outros países, possuem cidadania italiana, a fim de que se pronunciassem a respeito da renovação ou não de funcionamento de poços de petróleo em águas do mediterrâneo.

Pelas experiências que adquiriram, cidadãos de países desenvolvidos estão exigindo critérios mais exigentes quanto aos cuidados ambientais. A economia necessita de que os negócios sempre façam girar a roda da produção. Cada vez mais, o arrojo tecnológico expõe os empreendimentos a riscos gigantescos. A Barragem de Mariana e o povo de Bento Gonçalves que o digam.  Precisamos ficar alertas para que nosso berço esplêndido não venha a ser, simplesmente, rifado por inescrupulosos gestores deste nosso rico patrimônio, pelo qual contribuímos com nossa dedicação e trabalho.

Postado por José Morelli

 

     

"Eu me amo!"

 Sim, em situação de equilíbrio e com uso de minha inteligência, eu me amo, reconhecendo-me satisfeito pelo que sou, faço, penso e sinto. Esforço-me para não deixar passar batido o lado bom de tudo o que acontece, seja em mim mesmo, seja à minha volta.

Por força do amor que tenho para comigo mesmo, dedico meu amor também a meus familiares, colegas e amigos. As trocas de contribuições mútuas que, com eles faço, garantem minha sobrevivência física e de identidade pessoal.  Dou de mim e acato a doação do outro  sem medo de ser engolido pelo outro ou de engoli-lo. Minha família e minha casa servem-me como escola de vida e de amor à vida.

Dando mais um passo à frente e fundamentado no amor que tenho àqueles que me são mais próximos e íntimos, abro meu coração para aqueles e aquelas que se encontram além de meus limites familiares e de amizades. Rompo meus medos e desconfianças e arrisco-me na aventura de ampliar o alcance de minhas trocas afetivas.

Quando amo, ordenadamente, não restrinjo meu amor apenas aos que se assemelham a mim em suas características pessoais. Sou capaz de entender e valorizar a multiplicidade das raças e das culturas, desenvolvidas por povos e nações, bem como das maneiras próprias de cada indivíduo. Longe de considerar como ameaçadoras tais diferenças, entendo que sejam necessárias à boa ordem nas relações humanas e à construção de um mundo ecologicamente sustentável, no sentido mais amplo do que vem a ser sustentabilidade: direito de tudo e de todos à vida plena e abundante.

O amor para comigo mesmo e o amor ao outro/a, necessariamente não me representam um conflito irreconciliável. Ambos não podem ser entendidos como inimigos um do outro. O diálogo que estabelecem contribui para o desenvolvimento de minha personalidade em suas várias dimensões e necessidades.

Postado por José Morelli

 

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Espelhamo-nos constantemente!...

 Sim, é o que fazemos sempre, dormindo ou acordados, através de tudo o que, de alguma forma, nos chega ao cérebro. Nossa capacidade perceptiva é exercida através de nossos cinco sentidos. São eles que captam o que se encontra ao nosso alcance, seja de forma real seja de forma virtual.  Nosso cérebro, com sua capacidade de discernir, penetra com certa profundamente no entendimento das pessoas e das coisas, posicionando-nos perante cada uma delas.

Conscientizamo-nos de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Permitimos ou não que nossas percepções se sedimentem ganhando maior consistência e significância. Voamos com nossos pensamentos. As solicitações, de ver – ouvir – tocar – degustar - cheirar, são tantas que é preciso seletividade nas horas de elegê-las como preferenciais.

A palavra espelhar-se remete àquilo que entendemos como um objeto: o espelho. Dependendo da luz que incide sobre o espelho, este reflete as imagens nele projetadas. Estas vão e voltam. Levam nossas imagens até ele e ele no-las devolve ao contrário da posição com que chegaram. É, por isso que, nas imagens refletidas, nosso braço direito é o esquerdo e, o esquerdo, é o direito.

Nas estórias infantis e na mitologia encontramos dois famosos espelhos: um é o da madrasta da Branca de Neve que, ao mirar-se em seu espelho mágico, perguntava: “Espelho, espelho meu, diga-me se existe alguém mais bonita do que eu?” O da mitologia é o formado pelo lago onde Narciso, ao se ver refletido no mesmo, apaixonou-se por sua própria imagem, não conseguindo ver mais ninguém além dele mesmo. Não foi capaz de perceber e dar atenção aos olhares da Ninfa que também o admirava e desejava.

As imagens, em si mesmas, são objeto apenas: coisas simplesmente. As pessoas não são coisas, são consciências capazes de entender e de modificar. Nossa vida consciente nos permite que, instantaneamente, interpretemos as imagens invertidas (de cabeça para baixo), projetadas através de nossas retinas sobre o nervo ótico.  Somos gente, sujeitos capazes de assumir responsabilidades quanto ao que pensamos, sentimos e fazemos. 

Postado por José Morelli